Venezuela sofre com desgaste em estradas e no setor elétrico

Pesquisa indica que má conservação de rodovias é o que mais preocupa venezuelanos, seguido dos frequentes apagões

O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2012 | 03h03

Críticos do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, apontam a falta de investimento em infraestrutura como o calcanhar de aquiles de seu projeto nacional. Neste ano, o líder bolivariano teve de lidar com ao menos duas crises - a do setor carcerário e os acidentes em refinarias da estatal de petróleo PDVSA - além de problemas perenes, como a má qualidade das estradas, os apagões no fornecimento de energia elétrica, e a violência urbana.

De acordo com uma pesquisa recentemente divulgada pelo instituto Datanálisis, os venezuelanos veem com preocupação três setores em especial: o primeiro deles é o rodoviário, seguido pelo elétrico e o de saúde. Para 72% da população, a infraestrutura de estradas e rodovias do país é ruim. Outros 57,8% têm uma visão desfavorável do setor elétrico. Além disso, quatro em cada dez venezuelanos exigem melhorias no serviço de saúde pública.

O analista político Carlos Romero, da Universidade Central da Venezuela (UCV) concorda com o resultado da pesquisa. Para ele, a manutenção de estradas, portos e aeroportos deixa a desejar, "Há muito pouco interesse em investir em infraestrutura", observa. "O governo dá ênfase à política social e se esquece da formação de capital (investimento em maquinário industrial)."

O economista Ángel García Banchs, presidente da consultoria Econométrica, acredita que a política de subvalorização do bolívar em relação ao dólar e a própria natureza da economia venezuelana, com base no petróleo, também dificultam o investimento. "A empresa mais competitiva do mundo não daria certo na Venezuela", diz. "A renda do petróleo não é investida na infraestrutura."/ L.R.

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