AFP PHOTO / NICHOLAS KAMM
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Venezuela surpreende e envia representante à reunião da OEA

Fontes disseram que a ministra das Relações Exteriores, Delcy Rodríguez, estava na sede da instituição e poderia aparecer de surpresa no encontro

Cláudia Trevisan, correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

31 Maio 2017 | 16h08

WASHINGTON - Apesar de ter anunciado sua saída da Organização dos Estados Americanos (OEA), a Venezuela enviará representante à reunião de chanceleres da região que discutirá a situação do país na tarde desta quarta-feira, 31. Fontes disseram ao Estado que a ministra das Relações Exteriores, Delcy Rodríguez, estava na sede da instituição e poderia aparecer de surpresa no encontro. Até o início desta tarde, o nome credenciado pela Venezuela era o da embaixadora interina na OEA, Carmen Velásquez de Visbal, mas pode haver mudanças até o último minuto.

Na avaliação de diplomatas, a decisão da Venezuela de estar na reunião é um sinal de temor do resultado do encontro. Qualquer decisão terá de ser tomada por dois terços dos países presentes. O aumento do número de participantes eleva o quórum mínimo necessário. Até o início desta quarta-feira, Venezuela, Bolívia, Equador e Dominica não haviam confirmado presença, o que ocorreu só no fim da manhã.

Com isso, os 34 países da OEA participarão do encontro. Nesse cenário, qualquer proposta precisará de 23 votos para ser aprovada. Além dos bolivarianos, a Venezuela conta com o apoio da maioria dos países do Caribe, o que lhe dá poder para bloquear qualquer decisão à qual se oponha. Segundo uma fonte, Delcy se reuniu com os caribenhos antes no início da tarde.

Marcada para às 14h, a reunião começará bem mais tarde. Embaixadores estão há horas reunidos para tentar chegar a uma posição de consenso. Os que convocaram o encontro defendem a criação de um “grupo de contato”, formado por países que promovam a negociação entre governo e oposição. A Venezuela e seus aliados se opõem à proposta.

Do lado de fora da sede da OEA, opositores do governo Nicolás Maduro se manifestavam desde a manhã em apoio aos países que defendem o restabelecimento da ordem democrática na Venezuela. O engenheiro Rafael Iglesias carregava um cartaz com os dizeres “não+ditadura, não +violência, não+repressão”.

Em Washington para visitar a filha e o neto, Iglesias disse que jovens não têm futuro em seu país. “Tudo está sendo destruído na Venezuela”, disse o engenheiro de 67 anos. “Meus filhos tiveram que se mudar para o exterior em razão da baixa qualidade de vida e da insegurança.”

No início desta tarde, um pequeno grupo chavista também se reuniu em frente ao edifício da OEA com faixas “EUA, tirem as mãos da Venezuela”. Quando a reportagem tentou entrevistar uma pessoa do grupo, foi interrompida aos gritos por uma mulher, que ameaçava todas as pessoas abordadas. “Não falem com ela”, gritava. “Ela veio do outro lado”, uma menção ao fato de que a reportagem havia entrevistado antes os opositores da Maduro.

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