REUTERSEdwin Montilva
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Venezuela suspende porte legal de armas por 180 dias

Segundo o político venezuelano, a decisão do governo tem como objetivo 'garantir a segurança, a paz e a ordem interna' em um momento de grande tensão política e econômica na nação latina

O Estado de S. Paulo

02 Maio 2017 | 19h22

CARACAS e SAN SALVADOR - Um dia após o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ter convocado uma Assembleia Constituinte para escrever uma nova Constituição para o país, o ministro do Interior, Nestor Reverol, anunciou nesta terça-feira, 2, que o porte legal de armas está suspenso pelos próximos 180 dias. 

Segundo o político venezuelano, a decisão do governo tem como objetivo "garantir a segurança, a paz e a ordem interna" em um momento de grande tensão política e econômica na nação latina, que deve cada vez mais resultar em protestos e manifestações violentas pelas ruas do país. 

Nos últimos atos, nos quais foram registrados vários confrontos entre policiais e manifestantes, quase 30 pessoas morreram, principalmente vítimas de disparos de armas de fogos, segundo a Procuradoria-Geral da Venezuela. Líderes opositores, no entanto, falam, sem confirmações oficiais, de mais de 40 mortes. 

Celac. Nesta terça-feira, também foi marcada por uma cúpula extraordinária dos ministros das Relações Exteriores da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) em El Salvador, que havia sido pedida pela Venezuela na semana passada. No entanto, após horas de conversas e diálogos, o encontro foi concluído sem que nenhuma resolução fosse adotada. 

O motivo foi que, segundo o chanceler salvadorenho, Hugo Martinez, a Celac impõe que as resoluções só sejam aprovadas por consenso, o que não foi conseguido já que 7 dos 33 Estados-membros da organização não participaram das reuniões. 

De acordo com o ministro, a cúpula não contou com nenhuma representação do Brasil, Peru, Paraguai, Barbados, México, Bahamas e Trinidad e Tobago. Martinez, contudo, não forneceu até o momento a lista exata dos participantes do evento. Mesmo assim, a chanceler venezuelana, Delcy Rodriguez, anunciou que esteve presente no encontro. 

Foi a ministra que anunciou na última semana que seu país estava deixando a Organização dos Estados Americanos (OEA), que tem adotado uma postura crítica a Maduro, e pediu a convocação da cúpula no Caribe. Segundo ela, a reunião era necessária para examinar "as ameaças contra a ordem democrática constitucional" na Venezuela e as "ações intervencionistas contra a sua independência, a sua soberania e a sua autodeterminação". / ANSA

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