REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Venezuela tabela 25 alimentos e põe fiscais nas ruas

Governo anuncia congelamento de preços de produtos básicos e envia especialistas para monitorar lojas e evitar remarcação

O Estado de S.Paulo

22 Agosto 2018 | 19h50

CARACAS  - O governo da Venezuela anunciou a regulação dos preços de 25 alimentos no país, alguns deles já escassos e só encontrados no mercado paralelo. O estabelecimento que descumprir a medida será penalizado, segundo a Gazeta Oficial. Ao mesmo tempo, o procurador-geral da Venezuela, Tarek Saab, anunciou o envio de fiscais para monitorar e impedir a remarcação de preços. Sete pessoas foram presas nesta quarta-feira, 22. 

O decreto de Caracas estabelece a fixação de preços de vários produtos da cesta básica e de outros de consumo secundário. Ele assinala que o comerciante que descumprir a medida e remarcar o preço seria punido de acordo com a Lei de Preços Justos, norma que estabelece penas que vão desde multas ao fechamento do estabelecimento comercial. 

Entre os produtos que tiveram os preços fixados estavam o arroz (42 bolívares soberanos, R$ 2,84); o macarrão (48 bolívares soberanos (R$ 3,25); farinha de milho (20 bolívares soberanos (R$ 1,34). Todos esses alimentos mencionados estão escassos há anos na Venezuela, ainda que seja possível consegui-los por meio de revendedores conhecidos no país como “bachaqueros”, apelido dos atravessadores que vendem produtos subsidiados pelo governo. 

Também foram definidos os preços de produtos que começaram a ser vistos novamente em supermercados alguns meses depois de desaparecerem das prateleiras, como o azeite (36 bolívares soberanos ou R$ 2,43). 

Fiscais

O procurador-geral anunciou que, em todo o país, uma comissão integrada “de 68 fiscais especialistas em crimes econômicos” começaria a monitorar as tentativas de violação das medidas econômicas . 

Saab afirmou que esses fiscais tem o papel de investigar as reclamações dos cidadãos sobre comerciantes que especularem ou remarcarem os preços. O ministro de Interior e Justiça, o general Néstor Revero, informou que sete pessoas foram presas por venderem produtos com valores acima da tabela do governo. 

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, aprovou na sexta-feira uma série de medidas para enfrentar a crise econômica, entre as quais um aumento do salário mínimo, que elevou em 35 vezes seu valor atual, e entrará em vigor no dia 1.º, assim como o aumento de impostos.

Da mesma forma, o governo assinou um acordo com os 33 maiores nomes do agronegócio do país para proteger o que chamou de “estabilidade dos preços dos alimentos”. 

Na terça-feira, o Banco Central da Venezuela (BCV) formalizou a desvalorização de 95,8% após a taxa de câmbio oficial ter passado de 2,48 bolívares soberanos por dólar para 60 bolívares soberanos por dólar – equivalentes a 248,2 mil e 6 milhões de bolívares fortes por dólar no sistema antigo. 

Atentado

Autoridades venezuelanas detiveram nesta quarta-feira o general Héctor Hernández da Costa, da Guarda Nacional, sob a acusação de ter participado de um ataque com explosivos em drones contra o presidente Nicolás Maduro no dia 4. Até o momento, há 25 processados pelo incidente. / EFE e AFP  

 

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