Venezuela tem corrupção generalizada, dizem EUA

O governo dos Estados Unidos acusou a Venezuela de adotar "práticas generalizadas de corrupção em todos os níveis de seu governo" e afirma que o presidente Hugo Chávez vem promovendo uma "crescente concentração de poder". A informação consta do relatório Apoiando os Direitos Humanos e a Democracia 2006, divulgado pelo Departamento de Estado americano nesta quinta-feira.O documento é distinto do relatório sobre a situação dos direitos humanos divulgado pelo Departamento de Estado no início de março deste ano. O documento anterior trazia uma extensa lista de países, ao passo que o texto recém divulgado seleciona países que, supostamente, "enfrentam os mais sérios desafios aos direitos humanos". Segundo o Departamento de Estado, foi por esse motivo que uma série de países foi excluída do documento divulgado agora. Entre as nações sul-americanas que foram excluídas da relação estão Brasil, Peru e Suriname.´Politização´O relatório comenta ainda que a situação de direitos humanos no país foi marcada pela "politização do Judiciário e pela perseguição da mídia e de membros da oposição". O Departamento de Estado afirma ainda que "uma combinação de novas leis sobre difamação e relativas ao conteúdo de radiodifusões, intimidação física resultaram em limitações da liberdade de imprensa e de discurso e criaram um clima de auto-censura" na Venezuela. O texto documenta também as ações que os Estados Unidos estão tomando para influir na situação de direitos humanos nos países destacados.No caso venezuelano, os americanos dizem estar "procurando auxiliar os debilitados partidos políticos do país, através do financiamento americano de projetos centrados na renovação partidária e na democratização interna", afirma o documento. O texto comenta ainda supostos "esforços diplomáticos em defesa da liberdade de expressão e de associação".´Casos isolados´O Departamento de Estado diz que "Venezuela e Cuba permaneceram isolados em relação ao modelo democrático da região". Cuba, segundo o documento, "é um estado totalitário comandado por um presidente em exercício, o general Raúl Castro". O relatório acrescenta: "Cidadãos não têm o direito de mudar o seu governo e portanto não puderam contestar o anúncio feito em 31 de julho de que Fidel Castro estava ´delegando´ o poder a seu irmão". A postura do governo americano em relação a Cuba é a de "acelerar o processo de transição democrático, romper com o bloqueio de informação imposto pelo governo e despertar a atenção internacional para os problemas crônicos de direitos humanos na ilha". O documento cita ainda supostos abusos contra os direitos humanos cometidos em outros países do continente americano, como Bolívia, Colômbia, Equador, Haiti e Guatemala.

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