Venezuela tem pico de inflação e escassez de comida

Alta de 54,3% nos preços nos últimos 12 meses é a maior desde 2008; 22,4% dos alimentos estão em falta, um recorde desde 1998

CARACAS, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2013 | 02h02

Com uma inflação de 5,1% em outubro, a Venezuela registrou uma alta de 54,3% nos preços nos últimos 12 meses - a maior desde 2008. O fenômeno deve-se principalmente aos alimentos, afetados pela escassez de dólares que tem encarecido bens de primeira necessidade, quase sempre importados. A alta da comida, de janeiro a outubro, foi de 57,8%, a maior desde 1998. Os dados são do Banco Central da Venezuela (BCV).

A escassez de produtos também se agravou. A taxa de 22,4% é a mais alta desde abril de 2008, quando a medição começou a ser feita. Segundo o BCV, o fenômeno deve-se à falta de "dois ou três produtos" que são parte importante da cesta básica. O banco não detalhou quais seriam os itens, mas há relatos frequentes de falta de farinha de milho, base da alimentação dos venezuelanos.

Nesta semana, o presidente Nicolás Maduro lançou um pacote econômico que prevê maior centralização na distribuição de dólares e ampliação do tabelamento de preços, que abarcará de carros a roupas. O presidente anunciou a criação de um Centro Nacional de Comércio Exterior, que vai controlar as importações estatais e privadas. Estão previstas também medidas para estimular a população a poupar em bolívares.

Em razão do aumento dos gastos públicos no ano passado e da queda na receita da estatal do petróleo PDVSA - provocada pelo comprometimento da produção com subsídios internos e acordos com Cuba e outros países do Caribe, além da China -, a reserva em moeda estrangeira caiu. Como o câmbio na Venezuela é fixo, isso provocou a disparada do dólar no mercado paralelo, cuja cotação atingiu dez vezes a oficial. Além disso, a distribuição de dólares para empresas importadoras tornou-se intermitente.

Governo e oposição atribuem causas diferentes para a escassez de dólares. As empresas dizem que não têm acesso à moeda em razão da baixa nas reservas e da burocracia. Os chavistas acusam os empresários de simplesmente revender os dólares no mercado paralelo para lucrar com a diferença de câmbio.

Para contornar essas discrepâncias, Maduro aumentou a oferta de dólares para empresas importadoras para US$ 100 milhões por semana e assinou acordos de cooperação para importação de bens de capital e de alimentos com China, Brasil, Colômbia, Argentina e Uruguai. O presidente quer ainda a aprovação de uma lei na Assembleia Nacional que amplie seus poderes para legislar sobre temas econômicos. / EFE

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