Ariana Cubillos/AP
Ariana Cubillos/AP

Venezuela tem situação dramática de violações de direitos humanos, diz ONU

Alto comissário de Direitos Humanos afirma que há preocupação com a detenção prolongada de líderes opositores no país latino 

Jamil Chade, correspondente / Genebra, O Estado de S. Paulo

05 Março 2015 | 08h08


GENEBRA - A ONU considera a Venezuela como uma das situações mais dramáticas de violações de direitos humanos hoje no mundo e faz um ataque direto contra o governo de Nicolás Maduro. A crise na Venezuela foi citada nesta quinta-feira, 5, no discurso anual que o alto comissário de Direitos Humanos da ONU, Zeid Al Hussein, apresentou aos governos das Nações.

"Continuo muito preocupado com a deterioração da situação de direitos humanos na Venezuela", declarou em Genebra. "Estou preocupado em especial com as respostas duras do governo à críticas e à expressão pacífica de seus dissidentes."

No total, o representante da ONU listou 32 países onde violações ocorrem de uma forma preocupante no mundo. Na América Latina, a situação na Venezuela e a violência no México foram destacadas.

Zeid, entre diversos pontos de seu discurso, atacou a autorização dada pelo governo de Maduro para que "força letal possa ser usada contra manifestantes". "Isso é profundamente preocupante", disse o número 1 da ONU para Direitos Humanos.

O jordaniano denunciou a atitude de "altos membros do governo" de "intimidar" e lançar "campanhas de difamação" contra defensores de direitos humanos e criticou a prisão de líderes da oposição. "Estou particularmente preocupado com a detenção prolongada de líderes da oposição e de manifestantes, frequentemente por longos períodos."

Há dois dias, também em Genebra, a chanceler venezuelana, Delcy Rodriguez, conversou com o Estado e garantiu que as prisões contra membros da oposição estão ocorrendo "dentro da lei". "O que se espera de um governo legítimo quando é alvo de ataques violentos?", questionou.

Para a ministra, porém, a questão não é ter governos como o Brasil para mediar um diálogo com a oposição, como pedem ativistas contrário a Maduro. "Não estamos falando de mediação, de nenhum tipo de mediação internacional. Se fosse esse o caso, teríamos de mediar todas as situações que existem em todos os países", declarou.

"Consideramos o Brasil como um país irmão e, como nos demais países da Unasul, existe um acompanhamento da situação da Venezuela", disse. "E esse acompanhamento ocorre com respeito à auto-determinação do povo venezuelano, com respeito ao legítimo governo da Venezuela. Maduro fez o convite aos chanceleres da Unasul que no ano passado cooperaram para derrotar os grupos violentos e grupos terroristas na Venezuela."

Ela voltou a acusar o governo americano de tentar "derrubar" o governo Maduro. "Temos provas do envolvimento do governo de Washington", insistiu. Diante do Conselho de Direitos Humanos da ONU, a chanceler afirmou que, sob o comando de Hugo Chávez, a Venezuela "foi um dos primeiros países do mundo a ter um Estado de direitos humanos". "Hoje, podemos falar em um modelo de inclusão social e é isso que alimenta as forças ocultas para tentar desestabilizar o governo", concluiu.

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