EFE/Tiago Petinga
EFE/Tiago Petinga

Venezuelana tenta entrar à força em reunião do Mercosul

Chanceler de Maduro ameaçou invadir ‘pela janela’ reunião de ministros de Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai para ‘defender os direitos da Venezuela’

O Estado de S.Paulo

14 Dezembro 2016 | 18h13

BUENOS AIRES - A chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez, tentou nesta quarta-feira entrar à força em uma reunião do Mercosul em Buenos Aires à qual não tinha sido convidada. Acompanhada pelo chanceler da Bolívia, David Choquehuanca, e aplaudida por militantes kirchneristas na rua, Delcy abriu passagem entre a polícia até conseguir entrar no Palácio de San Martín, sede do Ministério de Relações Exteriores, onde ficou em uma sala.

Às portas do palácio, Delcy disse à imprensa que se não a deixassem entrar pela porta entraria “pela janela” para “defender os direitos da Venezuela”, suspensa do bloco no início do mês. “Continuamos exercendo a presidência rotativa do Mercosul até que se deem as condições para a transferência”, disse a ministra. 

A chanceler argentina, Susana Malcorra, explicou depois que havia comunicado por escrito a sua colega venezuelana que não estava convidada para a reunião, da qual participaram Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai. Malcorra tentou contornar a situação convidando Delcy para uma reunião bilateral em seu escritório, em outro edifício em frente ao palácio. Choquehuanca, Malcorra e o chanceler uruguaio, Rodolfo Nin Novoa, estiveram mais de uma hora tentando convencer Delcy de que não podia participar da reunião, mas não conseguiram chegar a nenhum acordo. Malcorra e Nin Novoa foram à reunião no palácio e Delcy ficou na rua, insistindo em entrar. 

Em meio à enorme tensão, Delcy conseguiu entrar de novo no palácio, mas já era tarde. Quando entrou na sala de reunião, ela já estava vazia, pois os chanceleres haviam terminado o encontro e estavam almoçando fora do prédio. 

“Foi uma situação complexa. Ela fez o que pôde para entrar no palácio. Ia entrar pela porta ou pela janela, como disse, e isso causou muita tensão, então deixamos que entrasse para não ter um problema maior”, explicou Malcorra. “Não conheço nenhum precedente de que se possa entrar em uma cúpula sem autorização”, acrescentou.

O país, que em 2012 se uniu oficialmente ao bloco, foi suspenso no início do mês por não ter cumprido o Protocolo de Adesão, uma decisão que o governo de Nicolás Maduro rejeitou por considerá-la “ilegal”. Maduro insiste em continuar exercendo a presidência semestral do grupo.

Antes de se reunir com Malcorra, Delcy postou uma foto dela e de Choquehuanca no Twitter dizendo que já estava no palácio na reunião do Mercosul esperando a chegada dos chanceleres de Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. O ministro José Serra também colocou uma foto no Twitter que o mostrava na chancelaria sentado com Malcorra, o chanceler paraguaio, Eladio Loizaga, e Nin Novoa.

Na reunião do conselho, realizada ontem, foi discutido o plano de ação para o primeiro semestre de 2017, sob a presidência temporária da Argentina./ EFE e AFP

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