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Venezuela tenta incluir crítica aos EUA em documento da Cúpula das Américas

Diplomacia venezuelana trabalha para incluir no texto parágrafos que rejeitem medidas unilaterais coercitivas após sanções 

Lisandra Paraguassu, O Estado de S. Paulo

07 de abril de 2015 | 20h16


BRASÍLIA - O governo da Venezuela trabalha nos bastidores para incluir na declaração final da Cúpula das Américas, que ocorre nesta semana no Panamá, a condenação das sanções impostas pelos Estados Unidos a autoridades do país. A diplomacia venezuelana trabalha para incluir no texto três parágrafos que rejeitem "medidas unilaterais coercitivas”.

As chances do texto ser aprovado, em uma reunião em que todas as decisões por consenso, são mínimas. Mas a tentativa venezuelana serviu para tumultuar as últimas negociações e terá de ser derrubada na última reunião de chanceleres, na véspera da Cúpula de presidentes.

O Brasil, que costuma tentar uma solução negociada entre os lados divergentes na reunião, vai apoiar a tentativa venezuelana.

Diplomatas brasileiros avaliam que não é o momento de trazer a briga entre os dois países para dentro da Cúpula, que será marcada pela primeira participação integral dos países das Américas - incluindo Cuba - em suas sete edições. Teme-se que a Venezuela, em uma tentativa de falar para seu público interno, tente capitalizar a rejeição dos países sul-americanos às sanções, já manifestada em outros foros, e criar um fato político de antagonismo aos americanos.

Não há como controlar o que os presidentes dirão em seus discursos, nas duas plenárias de chefes de Estado que acontecem no sábado. A expectativa brasileira, no entanto, é que o chamado “retiro”, o intervalo fechado entre sessões onde apenas os presidentes e seus chanceleres participam, sirva para um encontro informal entre o americano Barack Obama e o venezuelano Nicolás Maduro que amenize a tensão entre os dois países.

“Quanto à Venezuela e as divergências que houve com os Estados Unidos, eu entendo que o caminho bilateral seja o mais apropriado. Pode ter um encontro, se não uma bilateral propriamente dita, um encontro no retiro dos presidentes depois da primeira plenária”, explicou o ministro Paulino de Carvalho Neto, diretor do Departamento de Estados Unidos, Canadá e Assuntos Interamericanos do Itamaraty.

No início de março, o governo Obama decretou a Venezuela uma “ameaça extraordinária à segurança dos Estados Unidos” e estabeleceu sanções como a suspensão de vistos e o congelamento de bens em território americano de sete autoridades venezuelanas, sendo seis policiais e militares.

 Apesar dos problemas causados de última hora pelos venezuelanos, o documento final da Cúpula está praticamente pronto e inclui duas cláusulas que tentam reforçar o conceito de democracia na região.

No capítulo sobre governabilidade democrática, um parágrafo fala em “fortalecer a democracia e o Estado de direito, a separação e a independência entre os poderes do Estado, o respeito a todos os direitos humanos e liberdades fundamentais”. “Essa foi a linguagem que se encontrou para que se pudesse apoiar algo que para o Brasil é muito importante, que é a liberdade de imprensa. Foi uma vitória do processo negociador”, explicou o ministro.

O texto ainda fala de fortalecimento institucional e a modernização dos órgãos eleitorais independentes para fortalecer a “a integridade dos processos eleitorais e realização de eleições livres, justas e periódicas”. 

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