Venezuela tenta suprir demanda de papel higiênico

Após uma reunião entre o presidente executivo da Alimentos Polar, Lorenzo Mendoza, e o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, para tentar reduzir a crise desabastecimento, o governo da Venezuela anunciou ontem a importação de 50 milhões de rolos de papel higiênico para "saturar" o mercado - e combater o que o ministro do Comércio, Alejandro Fleming, qualificou de "campanha midiática" de que há escassez do produto.

CARACAS, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2013 | 02h07

Fleming admitiu, porém, que há uma "superdemanda" pelo produto, afirmando que a Venezuela consome 125 milhões de rolos de papel higiênico mensalmente e precisaria de outros 40 milhões para suprir a atual falta.

Já do encontro entre Maduro com o administrador da Polar, cujo conglomerado é o maior grupo empresarial privado da Venezuela, resultou o compromisso do governo de garantir o fornecimento de milho importado à companhia, para o processamento do produto em farinha - base da dieta dos venezuelanos. No encontro, com a presença de vários membros do Executivo, foi discutido o combate à escassez alimentar na Venezuela - que, no começo do ano, atingia 32,5% dos produtos de primeira necessidade, segundo o instituto de pesquisas Datanálisis. No mês passado, esse índice era de 21,3%.

"Tivemos um diálogo franco e aberto", disse Mendoza à estatal VTV, afirmando que o desabastecimento ocorre, em parte, pela "altíssima politização" do assunto. "O acordo principal é não politizar o tema econômico e alimentar."

O empresário garantiu às autoridades venezuelanas que a produção da Polar está no máximo da possibilidade. "O importante é que todas as empresas alimentícias produzam em plena capacidade. Trabalhamos com toda a matéria-prima disponível. O governo nacional garantiu o milho e o arroz de que precisaremos até que chegue a próxima colheita."

Na segunda-feira, ao chamar Mendoza publicamente para uma conversa, Maduro tinha responsabilizado a Polar pelo desabastecimento, afirmando que a empresa reduzia a produção e escondia produtos para acentuar a escassez nos últimos quatro anos, colaborando também para a alta da inflação.

O ministro das Finanças, Nelson Merentes, reconheceu ontem que será "difícil" cumprir a meta de inflação para este ano, entre 14% e 16% para 2013. Em 2012, ela ficou em 27,6%. / EFE

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