Andre Dusek/AE
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Venezuela teria brecha para entrar no Mercosul

Ingresso se tornou possível com ausência do Paraguai, que barrava entrada do país

Ariel Palacios; Enviado especial a Mendoza,

29 de junho de 2012 | 11h59

MENDOZA - Os presidentes Dilma Rousseff, o uruguaio José Mujica e a argentina Cristina Kirchner avaliariam nesta manhã a eventual entrada da Venezuela no Mercosul. Esse ingresso seria possível graças à ausência do Paraguai na cúpula, já que o país estava barrando a entrada venezuelana há vários anos. A suspensão paraguaia, que poderia durar vários meses, abriria uma brecha para concretizar a entrada da Venezuela.

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Caracas enviou seu chanceler, Nicolás Maduro, para participar da reunião do Mercosul em Mendoza. Além disso, o presidente Hugo Chávez poderia viajar ainda hoje a Mendoza para participar da cúpula, e assim, reforçar o pedido para entrar como membro pleno no bloco do cone sul.

Ontem, o chanceler brasileiro Antonio Patriota afirmou existe "um grande interesse em promover a plena participação da Venezuela, país que já participa das reuniões regulares. O chanceler (venezuelano) Nicolás Maduro está aqui, e nós queremos trabalhar para que se efetive no mais breve prazo a sua plena participação". Segundo o ministro Patriota, a entrada da Venezuela no Mercosul "é um tema que mantém toda seu todo seu interesse para os chefes de estado e de governo".

Entrada adiada - A Venezuela solicitou sua entrada no Mercosul em julho de 2004 durante a cúpula do Mercosul de Puerto Iguazú. Em 2006 o pedido foi aceito pelos presidentes da região e posteriormente passou para a aprovação dos parlamentos dos países-sócios. No entanto, há quatro anos está paralisado no Senado do Paraguai, onde a oposição - que tinha a maioria - rejeitava a entrada venezuelana, na contra-mão do governo do ex-presidente Fernando Lugo, amigo do presidente Hugo Chávez.

Na cúpula do Mercosul em dezembro passado em Montevidéu, o presidente uruguaio José Mujica propôs um "drible" ao Senado paraguaio com a criação daquilo que denominou de "variável jurídica" que permitisse que a Venezuela somente necessitasse a aprovação do presidente do Paraguai, prescindindo da câmara alta em Assunção.

No entanto, a denominada "Fórmula Mujica" provocou grande polêmica em Assunção, onde a oposição ameaçou o então presidente Lugo de "julgamento político" caso aceitasse de forma direta a entrada da Venezuela, passando por cima do parlamento paraguaio.

Na ocasião, o presidente Chávez - visivelmente irritado - afirmou que "mãos peludas" da "extrema direita" estavam tentando impedir a entrada de seu país como sócio pleno do Mercosul. O líder bolivariano lamentou que a Venezuela é há anos um "Estado associado" e não consegue ser aceita como "membro pleno". Depois, esbravejou: "para o Mercosul faltam várias coisas...uma delas é o Caribe. E a Venezuela tem o peito aberto para o Caribe!".

 

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