Venezuela transfere detentos após massacre

A transferência dos presos de uma cadeia onde morreram 61 reclusos foi concluída ontem, informou a diretora das instituições prisionais da Venezuela, depois de um dos motins mais graves da história do país.

CARACAS, / AP, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2013 | 02h08

A ministra dos Serviços Penitenciários, Iris Varela, disse numa mensagem pelo Twitter que a transferência da prisão de Uribana, na cidade de Barquisimeto, foi encerrada ontem. Os presos foram transportados de ônibus para outras unidades.

"Agora vamos cuidar da reconstrução", disse Varela. No sábado, a ministra havia dito que as autoridades decidiram transferir todos os presos do cárcere de Uribana depois do massacre a fim de "encerrar este capítulo de violência".

Dois dias depois da violência, as autoridades não forneceram o número oficial de mortos no motim de sexta-feira.

A versão oficial para o motim é de que a violência eclodiu na sexta-feira quando um grupo de presos atacou os membros da Guarda Nacional que realizavam uma inspeção por ordem do governo.

O cárcere de Uribana tem capacidade para 850 reclusos, mas sua população era de cerca de 1.427.

O dr Ruy Medina, diretor do Hospital Central da cidade, disse no sábado que o número de mortos subira para 61 enquanto o de feridos foi de 120. Destes, quase todos atingidos por armas de fogo, 45 continuavam hospitalizados no sábado.

O motim do cárcere de Uribana foi um dos mais sangrentos já registrados no país, onde os presos costumam receber armas e drogas com a ajuda de guardas. Segundo os críticos, este caso constitui uma prova de que o governo não tem condições de resolver a crise do sistema.

Os novos fatos chamaram a atenção em meio à incerteza a respeito do futuro do presidente Hugo Chávez, que está internado em Cuba há seis semanas, depois de submeter-se a uma nova cirurgia para combater o câncer.

O governo prometeu uma investigação rigorosa dos fatos. Na prisão de Sabaneta, na cidade ocidental de Maracaibo, ocorreu um dos motins mais violentos da história do país, em 1994, quando foram registrados mais de cem mortos. Dois anos antes, cerca de 60 presos foram mortos em outro motim numa penitenciária de Caracas.

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