Federico Parra/ AFP PHOTO - 22/2/2017
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Venezuela usa programa de comida subsidiada para lavar dinheiro, diz Tesouro americano

Funcionários venezuelanos lucram por meio de esquemas de desvio e manipulação de preços, que envolvem lavagem de ativos comerciais e companhias de fachada e fantasmas

EFE, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2019 | 00h52

Washington - O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos afirmou que funcionários públicos venezuelanos utilizam o programa de alimentos subsidiados conhecido como Clap para lavar dinheiro que supostamente teriam obtido com práticas de corrupção.

O programa Clap, ligado aos Comitês Locais de Abastecimento e Produção, entrega alimentos importados a baixo custo mensalmente a mais de seis milhões de pessoas.

Em um alerta enviado a entidades financeiras nesta sexta, 3, o escritório do Tesouro dedicado a crimes financeiros indicou que funcionários venezuelanos e suas redes lucram com o Clap "por meio de esquemas de desvio e manipulação de preços, que envolvem lavagem de ativos comerciais e companhias de fachada e fantasmas".

Os funcionários venezuelanos teriam aumentado sua riqueza e patrimônio "estabelecendo relações com pessoas que utilizam suas companhias fantasmas para obter dinheiro dos contratos comerciais e da atividade empresarial facilitada pelo programa" por meio de um complexo sistema que inclui entidades no exterior situadas na Turquia, Panamá, Hong Kong e México, entre outros.

De acordo com o Tesouro americano, a lavagem de ativos comerciais é o primeiro método utilizado por funcionários venezuelanos de alto escalão corruptos, seus sócios e suas famílias para evitar sanções e facilitar o movimento e lavagem de lucros provenientes da corrupção, fraude e desvio, e também para desviar o financiamento público do Clap às suas contas privadas.

O subsecretário do Tesouro para Terrorismo e Inteligência Financeira, Sigal Mandelker, disse em comunicado que seu departamento está alertando às instituições financeiras que o governo de Nicolás Maduro usa sofisticados sistemas, inclusive o desvio de ajuda humanitária, para evitar sanções e manter seu controle do poder.

"A comunidade financeira internacional deve estar alerta para prevenir sua utilização por parte de membros do regime e seus facilitadores, incluindo companhias de fachada e instituições financeiras estrangeiras que seguem escorando o governo", acrescentou.

 

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