Venezuela vai às urnas em cenário incerto

A Venezuela vai às urnas hoje para aquela que pode ser a mais disputada eleição presidencial desde 1998, quando o candidato Hugo Chávez - que se tornara conhecido por ter liderado uma fracassada tentativa de golpe seis anos antes - chegou ao poder. Chávez está na frente nas intenções de voto na maior parte das pesquisas até o fim de semana passado, a partir do qual a divulgação de sondagens se tornou proibida pela lei eleitoral.

ROBERTO LAMEIRINHAS, ENVIADO ESPECIAL, Agência Estado

07 de outubro de 2012 | 07h34

No entanto, essas mesmas pesquisas indicavam uma tendência de crescimento da candidatura do opositor Henrique Capriles Radonski, o jovem governador de Miranda em torno do qual se reuniram todas as forças da oposição para levar adiante um único projeto: remover Chávez da cadeira presidencial. Agências internacionais de análise de risco ainda apostavam, nos últimos dias de campanha, numa vitória por margem estreita do presidente.

Talvez como reflexo da redução das vantagens na pesquisas, Chávez e seus assessores mais próximos têm feito, em discursos e entrevistas destes últimos dias, raras admissões de falhas administrativas do governo bolivariano, seguidas de apelos ao fervor patriótico e revolucionário.

"O que está em jogo aqui não é se você vai ficar duas horinhas sem luz, mas a independência e soberania da Venezuela, ameaçada pela ultradireita que quer voltar à presidência com o ''majunche'' (insulto que pode ser traduzido como ''imbecil'' e pelo qual os chavistas se referem a Capriles)", declarou na terça-feira Mario Silva, espécie de porta-voz televisivo do chavismo e apresentador da estatal Venezolana de Televisión (VTV).

"Uma vitória de Chávez por uma diferença incontestável manteria a situação política atual", afirma, sob condição de anonimato, um diplomata europeu estabelecido em Caracas. "Talvez, em razão de sua doença (um câncer pélvico detectado há mais de um ano, cujo prognóstico é mantido como segredo de Estado), ele tenha de nomear um vice-presidente capaz de levar adiante seu projeto socialista. Poderia ser (o chanceler) Nicolás Maduro, seu antigo camarada de armas Diosdado Cabello ou seu irmão Adán Chávez." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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