Jorge Castellanos/Efe
Jorge Castellanos/Efe

Venezuela vive dia de protestos e homenagens a Chávez

Maduro presta homenagem ao mentor e rompe relações diplomáticas com Panamá

O Estado de S. Paulo,

05 de março de 2014 | 15h17

(Atualizada às 23h45) CARACAS - Simpatizantes de Hugo Chávez inundaram as ruas de Caracas na quarta-feira, 5, para lembrar o primeiro aniversário de sua morte, em uma emocionada, mas bem-vinda distração para seu sucessor, Nicolás Maduro, que enfrenta a fúria de violentos protestos nas ruas há quase um mês.

Um ano após Chávez morrer, seu herdeiro político está diante do maior desafio desde o início de seu governo, com protestos contra ele que já resultaram em 18 mortes desde o mês passado. Forças de segurança reprimiram com gás lacrimogêneo e balas de borracha manifestantes que se reuniram em Caracas e em outras cidades do interior. Enquanto isso, Maduro presidiu uma parada militar na capital para honrar o "Comandante", em uma grande mobilização de partidários de Chávez.

Em seguida, Maduro se dirigiu ao mausoléu onde está enterrado o corpo do ex-presidente. No antigo quartel militar, Chávez liderou uma tentativa de golpe, em 1992, dando início a sua carreira política.

"Hugo Chávez passou para a história como o redentor dos pobres", disse Maduro, comparando seu mentor a Jesus e ao herói da independência sul-americana Simon Bolívar. As cerimônias tiveram a presença de aliados de esquerda, como presidente de Cuba, Raúl Castro, da Bolívia, Evo Morales, e da Nicarágua, Daniel Ortega.

No entanto, nem tudo foi celebração para o presidente. Na quarta-feira, Maduro anunciou o rompimento das relações diplomáticas com o Panamá, acusando-o de "conspirar" contra seu governo.

O presidente panamenho, Ricardo Martinelli, pediu uma reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA) para discutir os protestos na Venezuela. O encontro será realizado na quinta-feira. "Não vamos permitir que ninguém se meta impunemente com nossa pátria, lacaio presidente do Panamá", bradou Maduro durante o discurso em homenagem a Chávez.

No fim da noite, a chancelaria do Panamá divulgou nota qualificando como "inaceitáveis as ofensas proferidas por Nicolás Maduro" e destacando a linguagem grosseira "utilizada de forma imprópria pelo presidente".

O líder da oposição venezuelana, Henrique Capriles, também criticou Maduro. "Mais uma ação irresponsável para tentar desviar a atenção da grave crise em todas as áreas do país", tuitou.

Protestos

Algumas avenidas de Caracas foram bloqueadas com barricadas que criaram grandes congestionamentos na capital. Os protestos, segundo o presidente, foram de "pequenos grupos que pretendiam incendiar as principais vias" da cidade.

Ao mesmo tempo, dezenas de milhares de chavistas se reuniram em manifestações em Caracas e em outras cidades em homenagem a Chávez. Nos 14 anos em que esteve no poder, ele ganhou a adoração da maioria dos pobres do país, enquanto alienou a classe média e alta da Venezuela.

A deputada opositora María Corina Machado liderou uma marcha na cidade de San Cristóbal, onde tiveram início os protestos. "Pedimos a saída imediata de (Raúl) Castro e dos cubanos de nossas Forças Armadas", disse, reiterando uma reclamação comum da oposição sobre a interferência cubana em assuntos venezuelanos.

Em Havana, no entanto, cerca de 300 pessoas também prestaram homenagens a Chávez em uma manifestação no centro. O ato foi organizado pelo Instituo Cubano de Amizade com os Povos (Icap). / REUTERS, EFE e AFP

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