Venezuela vive rotina de apagões elétricos

O caos que o Brasil viveu na terça-feira, quando as luzes se apagaram do Ceará ao Rio Grande do Sul, está próximo de virar uma triste rotina na Venezuela. Só nos últimos dois anos foram seis apagões nacionais. Em muitas regiões do país os cortes de luz são constantes e ocorrem a qualquer hora. Não escapam nem as zonas petrolíferas, carros-chefes da economia venezuelana.

AE, Agencia Estado

15 Novembro 2009 | 07h58

"Nos últimos anos, (o presidente venezuelano Hugo) Chávez preferiu investir em projetos que lhe rendessem dividendos políticos rapidamente", disse o economista Maikel Bello, da consultoria Ecoanalítica, de Caracas. "Os investimentos em infraestrutura, de longo prazo, não foram feitos enquanto a economia crescia a um ritmo que às vezes passava dos 10% ao ano por causa da alta do petróleo. O resultado é esse aí."

Há um ano, quando as luzes se apagaram em Caracas em plena hora do rush, Chávez chegou a enviar o Exército às ruas para manter a ordem enquanto milhares de pessoas voltavam a pé para casa. O apagar das luzes já não causa tanto espanto. Mas se a situação já estava complicada, piorou ainda mais nas últimas semanas por questões climáticas. A Venezuela vive uma das piores secas de sua história - e 70% de sua energia provem de usinas hidrelétricas.

Agora, também falta água. Em diversos bairros da capital as torneiras secam duas vezes por semanas, conforme estipulado em um calendário de racionamento. Algumas escolas fecham suas portas e postos de saúde reduzem o ritmo de atendimento quando chega a vez de suas vizinhanças.

No início do mês, Chávez ameaçou multar as empresas que desperdiçarem eletricidade e deu orientações para ajudar os venezuelanos a superar a crise energética: os shoppings centers, "antros do capitalismo", devem comprar geradores que provenham 100% de sua energia; os cidadãos venezuelanos devem deixar uma lanterna ao lado da cama para ir ao banheiro à noite; e os banhos devem durar, no máximo, três minutos.

Estatizações

Chávez completou a estatização do setor de energia em 2007, após lançar o "socialismo do século 21". Na época, ele nacionalizou a Eletricidade de Caracas, controlada pela americana AES Corporation, e algumas empresas do interior do país. Mas mesmo antes disso os investimentos privados no setor já vinham minguando porque o governo congelou as tarifas elétricas em 2003.

Segundo o economista venezuelano Maxim Ross, diretor de uma consultoria que leva o seu nome, em todos esses anos o único grande projeto que avançou foi o da bacia do Rio Caroní, onde fica a Hidrelétrica de Tocoma - projeto do qual participa a brasileira Odebrecht. OO problema é que agora já estamos atrasados", diz o economista. "Mesmo que o governo faça os investimentos necessários em hidrelétricas e outras fontes de energia, ainda teremos uns bons meses de suprimento problemático até que se comece a ver os resultados." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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