Johannes EISELE / AFP
Johannes EISELE / AFP

Venezuela sugere reunião entre Trump e Maduro; vice-presidente dos EUA rechaça proposta

Em post, Mike Pence afirmou que a única coisa a ser discutida com Maduro é sua data de saída do governo da Venezuela

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2019 | 16h06

GENEBRA - O ministro venezuelano das Relações Exteriores, Jorge Arreaza, pediu nesta quarta-feira, 27, na ONU, uma reunião entre os presidentes americano, Donald Trump, e venezuelano, Nicolás Maduro, para tentar encontrar uma saída para a crise - um dia antes da visita programada pelo líder opositor Juan Guaidó ao Brasil. A proposta foi rechaçada pelos EUA.

Em discurso ao Conselho de Direitos Humanos em Genebra, Arreaza disse que o presidente Maduro "está pronto para o diálogo (...) mesmo com os Estados Unidos".  "Voltamos a sugerir o caminho do diálogo, o diálogo com os Estados Unidos, e por que não uma reunião entre o presidente Trump e o presidente Maduro?", questionou. "Existem diferenças, vamos trabalhar em concordâncias", acrescentou.

O vice-presidente dos EUA, Mike Pence, rechaçou a proposta do diplomata venezuelano em publicação em sua conta no Twitter. "A única coisa a ser discutida com Maduro neste momento é a hora e data de sua saída. Para que a democracia retorne e a Venezuela se reconstrua, Maduro deve sair", publicou, junto à hashtag em espanhol #VenezuelaLibre.

Antes de lançar o apelo, o ministro venezuelano denunciou por vários minutos o que descreveu como uma "agressão" contra seu país, bem como o bloqueio econômico e o congelamento de ativos venezuelanos no exterior. 

"Este conselho de direitos humanos deve levantar a voz porque o bloqueio contra a Venezuela e as medidas coercitivas unilaterais que violam a Carta das Nações Unidas", afirmou. "Chega de tanta agressão."

Arreaza voltou a acusar os Estados Unidos de quererem invadir a Venezuela, amparando-se na distribuição de ajuda humanitária. "Sob o pretexto da crise humanitária, uma intervenção é planejada em meu país", insistiu. 

Ele também reiterou seu convite à Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, a chilena Michelle Bachelet, para visitar a Venezuela e avaliar pessoalmente o impacto do "bloqueio" liderado pelos Estados Unidos.

Um grupo de embaixadores de países europeus e latino-americanos levantou-se de seus lugares e deixou a sessão do Conselho de Direitos Humanos quando Arreaza iniciou seu discurso.

Os Estados Unidos - que estão ausentes em reuniões do Conselho de Direitos Humanos após a decisão de Trump no ano passado de se retirar do órgão da ONU - boicotaram uma intervenção venezuelana na conferência do Desarmamento da ONU. 

O representante de Washington, Robert Wood, deixou o plenário do órgão quando o diplomata de Caracas iniciou seu discurso. Wood rejeitou imediatamente qualquer encontro de Trump com Maduro.

"O presidente Trump está pronto para se encontrar com o verdadeiro presidente da Venezuela, Juan Guaidó", disse o diplomata americano.

Presidente da opositora Assembleia Nacional, Guaidó que se proclamou presidente interino em 23 de janeiro, é apoiado por mais de 50 países, incluindo Estados Unidos, Brasil, Colômbia e a maioria dos membros da União Europeia. 

Depois de chamar de "uma infelicidade" que os representantes de Maduro poderem intervir em nome da Venezuela junto à ONU, Wood disse que o boicote de dezenas de países quando o chanceler venezuelano tomou a palavra "enviou uma mensagem muito poderosa". / AFP

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