Venezuelanos definem primeiro líder da era pós-Chávez em eleição tensa

Sucessão. Votação marcada por uma participação aparentemente menor do que a registrada na disputa presidencial de outubro ocorre com tranquilidade nas ruas, mas membros das campanhas de Maduro e Capriles trocam acusações e denunciam irregularidades

FELIPE CORAZZA, ENVIADO ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2013 | 02h14

A disputa pela sucessão de Hugo Chávez na Venezuela levou milhões às urnas ontem para decidir entre Nicolás Maduro, o indicado pelo líder, e o oposicionista Henrique Capriles. A votação teve aparentemente menos eleitores que na eleição de outubro, na qual Chávez venceu Capriles. Durante o dia, as duas campanhas pediram mais participação e acusaram-se de ilegalidades no processo.

Tanto chavistas quanto oposicionistas aguardavam com ansiedade a divulgação da taxa de abstenção pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), apostando em diferentes avaliações.

Apoiadores de Maduro acreditam que, com uma presença de eleitores similar à da eleição de outubro, quando Chávez derrotou Capriles com uma participação de 80% dos eleitores, haveria uma repetição do resultado, agora com Maduro. Já a oposição apostava em uma "avalanche eleitoral" para virar o jogo, contando com abstenção maior entre os chavistas.

Durante a votação, opositores denunciaram que chavistas estariam acompanhando eleitores às cabines em cidades do interior para um "voto de cabresto". A presidente do CNE, Tibisay Lucena, no entanto, afirmou que houve poucos casos isolados de problemas. "A maior novidade é que quase não há novidades", disse, logo depois de votar em um colégio de Caracas por volta do meio-dia. Sobre os eleitores sendo acompanhados às urnas, Tibisay confirmou que houve denúncias, mas disse terem sido menos de 10 casos. Também foram registrados casos de pessoas que destruíram o comprovante de voto impresso após votarem na urna eletrônica, mas foram poucos, segundo Tibisay.

O chavismo também fez suas denúncias durante o dia. O irmão do ex-presidente Chávez e governador do Estado de Barinas, Adán Chávez, disse que a oposição tentou "colocar comprovantes falsos" de votação em urnas.

Os centros de votação foram abertos às 6 horas e grandes filas se formaram desde cedo nas áreas chavistas do oeste da capital. Nos redutos de Capriles, a manhã foi tranquila, com maior concentração de eleitores no período da tarde. Após depositar o voto em uma escola no centro de Caracas, Maduro afirmou esperar por participação recorde em um "arremate perfeito" ao que considera um compromisso com Chávez.

O candidato e presidente interino deixou o local de votação e foi para o Quartel da Montanha, onde está sepultado o líder morto em março, para aguardar os resultados. A menos de duas horas do fim da votação, o candidato comandou uma salva de tiros de canhão em homenagem a Chávez no quartel.

Capriles, da Mesa da Unidade Democrática (MUD), votou em um colégio no bairro nobre de Las Mercedes. Pouco antes da chegada do candidato, o jogador de beisebol Antonio "El Potro" Alvarez foi hostilizado pela multidão que aguardava Capriles.

Sob vaias e gritos de "Fora!", o esportista, notório chavista, precisou ser escoltado pela polícia e por militares do esquema especial de segurança para sair.

Depois de votar, Capriles declarou convocou seus eleitores a se dirigirem às urnas para a "avalanche". O opositor criticou o Conselho Nacional Eleitoral (CNE). "Não há (na eleição) um árbitro que cumpra seu papel de verdade. Não há".

Sistema. O sistema de votação eletrônico com comprovante depositado em urna foi um dos pontos de discórdia entre situação e oposição ao longo da campanha.

A MUD afirma que há diversos pontos frágeis que podem comprometer a lisura do processo. Para o ministro do Tribunal Superior Eleitoral Brasileiro Dias Toffoli, no entanto, o sistema eleitoral venezuelano é transparente.

Ao Estado, o ministro afirmou que boa parte dos procedimentos foram inspirados no sistema brasileiro de votação e que as chances de fraude são reduzidas. Toffoli está em Caracas como observador convidado. "Há um esforço grande e uma programação muito extensa com os observadores. O grau de abertura é grande", afirmou.

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