Venezuelanos lotam praças em vigília de luto

Nas proximidades do Palácio Miraflores, onde os chavistas celebraram vários triunfos políticos, as cenas eram de inconformismo e revolta

ROBERTO LAMEIRINHAS , ENVIADO ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S.Paulo

07 de março de 2013 | 02h09

A Venezuela, ou pelo menos a maior parte dela, está consternada. Multidões de partidários do presidente Hugo Chávez, morto na terça-feira, lotaram as praças batizadas com o nome de Bolívar em várias cidades do país, numa vigília de luto que se estendeu pela madrugada de ontem, em meio a imagens de dor e desespero. Em Caracas, na mesma praça nas proximidades do Palácio Miraflores onde os chavistas celebraram vários triunfos políticos desde a chegada de Chávez ao poder, há 14 anos, as cenas eram de inconformismo e revolta.

À tarde, caravanas de motociclistas vestidos de vermelho, os "motorizados", como são conhecidos pela população, tomaram conta das principais avenidas de Caracas como a Francisco de Miranda, a principal artéria viária do distrito de Chacao.

Em um de seus primeiros atos como presidente interino, Nicolás Maduro firmou o decreto que estabelece o luto nacional de sete dias, proíbe festas e comemorações e exorta "todos os venezuelanos" a participar das cerimônias de homenagem ao "pai da revolução bolivariana". Ontem não houve aulas, o atendimento nas repartições públicas foi suspenso e uma lei seca foi decretada por sete dias.

"Se Chávez morreu, deveríamos morrer todos", dizia um fanático simpatizante chavista às câmeras da emissora estatal Venezolana de Televisión (VTV), que ontem se encarregava de equilibrar as expressões de dor com as mensagens de otimismo em relação ao futuro da "revolução bolivariana", da qual o presidente foi o criador e líder.

As ações da mídia estatal são politicamente coreografadas: terminado o período de luto, os chavistas terão de retornar aos palanques para tentar levar ao Palácio Miraflores o agora presidente interino do país, Nicolás Maduro - cuja escolha como sucessor foi a última decisão política importante de Chávez, em 8 de dezembro, antes de se submeter à quarta cirurgia para combater o câncer, em Havana.

Mas, além da dor, a noite registrou também pelo menos um caso de violência. Uma repórter da emissora colombiana RCN foi agredida supostamente por um grupo de chavistas pouco depois do anúncio da morte do líder, na terça-feira. Ela deixou o local com o rosto sangrando e a agressão atraiu as críticas de organismos de defesa da liberdade de expressão.

Na câmara ardente instalada na academia militar, milhares de partidários de Chávez passavam emocionados, mas silenciosamente pelo caixão do líder. O enterro será amanhã.

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