Cesar Olmos/AP Photos
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Venezuelanos migram para o Peru e dançam em cruzamentos de Lima para ganhar a vida

Em um bom dia de trabalho, eles chegam a ganhar US$ 20, quase três vezes mais que o salário mínimo na Venezuela; grupo chamou a atenção da atriz Angelina Jolie

O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2018 | 11h18

LIMA - Três venezuelanos lutam para ganhar a vida durante 90 segundos em um cruzamento da capital do Peru. Quando o semáforo está vermelho, eles começam a dançar para uma audiência cativa de pedestres nas ruas e passageiros de ônibus. Certa vez, tiveram um rápido encontro com a superestrela de Hollywood Angelina Jolie.

Os giros e os rápidos passos podem dar até US$ 20 em um bom dia de trabalho, quase três vezes mais que o salário mínimo na Venezuela. “Você nunca sabe como vai ser na rua”, diz a dançarina Karin Rojas. “Em um dia está bom, no outro está ruim.”

O trio é parte de um fluxo de venezuelanos que lutam para sobreviver depois de fugir do país de origem e da pior crise econômica da América Latina. A maior parte vai para as cidades da fronteira da Colômbia, para vender bens de valor e cachorros-quentes ou consertar sapatos. O Peru é o segundo lugar mais comum para os migrantes.

Karin, com 25 anos, e o seu marido, Francisco Diaz, chegaram a Lima em 2016, deixando a região montanhosa do Estado de Merida, na Venezuela, onde cuidavam de um coletivo de break dancing. No Peru, eles encontraram um terceiro parceiro, Angel Fernandez, de 22 anos.

Os três escolheram um cruzamento de Lima para fazer as danças e, em seis dias da semana, se juntam sob a luz vermelha do semáforo em um total de 13 horas de trabalho. Eles acabam alguns dias só US$ 5 mais ricos e machucados fisicamente, com o sol esquentando o asfalto, as mãos cobertas por calos e os dedos sangrando.

No entanto, Karin fala que a vida é melhor do que na Venezuela, onde ficava dois dias seguidos sem comer. Agora, ela chega a fazer três refeições ao dia.

O grupo de dançarinos chamou a atenção de Angelina Jolie em outubro de 2018, quando a atriz americana visitou Lima como enviada especial das Nações Unidas e comissária dos refugiados. Os passos impressionaram a atriz, que disse a eles para não desistirem dos seus sonhos.

Karin e Francisco esperam acumular ganhos o suficiente para comprar um "moto-táxi de três rodas", uma forma comum de transporte nos subúrbios de Lima. “Nós nunca iremos parar de dançar”, disse ela. “Dançar ajuda a esquecer das nossas tristezas.” / AP

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