Carlos Garcia Rawlins / Reuters
Carlos Garcia Rawlins / Reuters

Venezuelanos passam noites em filas nos supermercados para conseguir alimentos

População lida com escassez de produtos nas prateleiras e com contrabandistas, que se aproveitam da situação para revender na Colômbia o que conseguem comprar

O Estado de S. Paulo

14 de agosto de 2015 | 09h44

MARACAIBO - Com a falta de alimentos básicos nas prateleiras dos supermercados da Venezuela e o aumento no número de saques, os venezuelanos passam a noite em frente às lojas fechadas.

“Não consigo comprar leite para meu filho. O que vamos fazer?”, disse Leida Silva, de 54 anos, às lágrimas ao lado de fora de um mercado ao norte de Maracaibo. Ela chegou no local às 3 horas da manhã.

Muitas pessoas que passam as noites nas filas se acomodam em caixas de papelão achatadas para conseguirem ao menos tirar um cochilo. Outras preferem beber café para se manterem acordadas. Mas praticamente todos lamentam a situação vivida.

A escassez de alimentos no país ocorre em razão dos controles cambiais que restrigem a disponibilidade de dólares americanos no setor de importações. Os baixos preços do petróleo, estado de recessão e uma inflação galopante têm piorado o panorama econômico da Venezuela.

Dezenas de tentativas de saques têm ocorrido em 2015, aumentando o medo de que a falta de produtos no país se agrave. Muitos estados decidiram proibir as filas formadas à noite em frente aos estabelecimentos no início deste ano sob a justificativa dos crimes recorrentes.

“Estou com medo, claro, mas é a única forma de conseguir algo para comer”, disse Ofenia Gonzalez, de 46 anos, que tem passado as noites ao lado de fora de um supermercado na esperança de encontrar comida para ela e sua filha de 9 anos.

Contrabando. Soldados com escudos, bombas de gás lacrimogêneo e rifles patrulham a região de Maracaibo. Além de lidar com a questão da escassez, moradores do local ainda lidam com os contrabandistas, que se aproveitam da política esquerdista do governo de fixar os preços de alguns produtos para comprar as mercadorias e revender por um preço mais alto na Colômbia.

“Temos que manter o controle. Do contrário, haverá caos”, disse Lieutenant Carlos Barrera, de 21 anos, ao tentar conter um grupo de pessoas em frente a um supermercado.

Contrabandistas conhecidos como “bachaqueros” estão presentes nas filas noturnas. Trabalhando em grupos, eles lotam as lojas quando os produtos chegam.

O presidente Nicolás Maduro diz que os criminosos estão prejudicando as pessoas mais pobres. “O que é um bachaquero? É um ser humano que se tornou selvagem”, disse em um discurso feito na terça-feira.

Mais de 60% da população da Venezuela culpa o governo pela escassez, segundo pesquisa Datanalisis. “Queremos mudanças. Precisamos que esse governo chegue ao colapso”, disse Yanet Moran, 19 anos, após ficar 5 horas em uma fila noturna. /REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.