Miguel Gutiérrez / EFE
Miguel Gutiérrez / EFE

Venezuelanos se acorrentam em hospital para exigir remédio para seus filhos

Eles exigem que o governo importe medicamento contra a rejeição de órgãos transplantados e normalize as sessões de diálise

O Estado de S.Paulo

20 Fevereiro 2018 | 21h03

CARACAS - Cerca de 20 pais de crianças transplantadas, ou em diálise, se acorrentaram nesta terça-feira (20) por várias horas em frente a um hospital de Caracas para exigir do governo medicamentos para seus filhos. 

"Por favor, ajudem-nos, nem eu, nem meus amigos queremos morrer", implorou Carlibeth Falcón, de 11 anos, ao lado de seu pai, acorrentado ao hospital JM de los Ríos.

O homem denunciou que sua filha, trasplantada em 2016, está há dois dias sem tomar o medicamento que evita a rejeição a um rim doado. 

"Que não venham dizer que isso é um show midiático", declarou à imprensa Carlos Falcón. Sua filha carregava um cartaz com a frase: "Ajuda, meu rim e minha vida estão em risco por falta de imunossupressores". 

Os pais foram recebidos por autoridades de saúde que prometeram normalizar o abastecimento em duas semanas, indicou Falcón, lembrando que vários pacientes da ala de nefrologia morreram no ano passado no JM de los Ríos.

+ Sem medicamentos, venezuelanos transplantados lutam para sobreviver

Até aqui neste ano, sete transplantados morreram por rejeição aos órgãos, segundo Francisco Valencia, da ONG Codevida.

Outros 9 perderam o transplante e voltaram à diálise, enquanto 30 enfrentam esse risco. 

Estima-se que 3.500 transplantados "não têm acesso a imunossupressores", dos 16 mil pacientes renais do país, afirmou o ativista. 

Além da falta de medicamentos para pacientes crônicos - cujo fornecimento é de responsabilidade do Instituto de Previdência Social -, houve o fechamento de 35 das 129 unidades de diálise, destacou Valencia. 

A escassez de medicamentos para doenças de alto custo chega a 95%, enquanto a de essenciais, como hipertensivos, é de 85%, segundo a Federação Farmacêutica. 

O desabastecimento de insumos médicos chega a 85%, de acordo com várias ONGs, que pedem ao governo para recorrer à Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). 

O presidente Nicolás Maduro, que rejeita oferta de países como Colômbia para habilitar um canal humanitário de abastecimento de remédios, defende que seu governo se esforça para continuar a subsidiar tratamentos de alto custo, apesar da grave crise econômica. 

Maduro afirma que a situação se agravou com as sanções financeiras movidas pelos Estados Unidos. 

Em 30 de janeiro, ele aprovou o uso de 12,3 milhões de euros para adquirir medicamentos hemoderivados, insumos para bancos de sangue, cateteres e reagentes para máquinas de diálise. / AFP

 

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