William Urdaneta/Reuters
William Urdaneta/Reuters

Venezuelanos se rebelam na fronteira com Brasil

Membros da Guarda Bolivariana e indígenas atacam quartel e posto policial em Santa Elena de Uiarén e um militar morre

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2019 | 19h47

CARACAS - Membros da Guarda Nacional Bolivariana, apoiados por um grupo de indígenas reservistas do Exército, se sublevaram neste domingo, 22, e roubaram dezenas de armas no Estado de Bolívar, na fronteira com o Brasil. Um militar leal ao regime de Nicolás Maduro morreu durante confronto e um rebelde ficou ferido e foi preso.

O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, disse que seis rebeldes foram presos e estavam sendo interrogados. Já o ministro de Comunicação, Jorge Rodríguez, disse em sua conta no Twitter, sem oferecer provas, que os envolvidos “foram treinados por paramilitares na Colômbia e receberam a colaboração do governo de Jair Bolsonaro”. 

Segundo Ricardo Delgado, ex-prefeito de Gran Sabana, os insurgentes tomaram um comandante como refém e pertencem ao batalhão 513 Mariano Montilla, localizado na cidade de Luepa, a 180 quilômetros de Santa Elena de Uairén, que fica na divisa com a cidade brasileira de Pacaraima. “Os oficiais estão sendo apoiados por 30 indígenas de várias comunidades, que atenderam ao chamado dos militares pelo fim da ‘usurpação’”, disse Delgado.

O jornalista Román Camacho disse em sua conta no Twitter que os oficiais tomaram o 5102 Esquadrão de Cavalaria Motorizado em Santa Elena de Uiarén, de onde levaram 112 fuzis AK 103 e munição, além de um caminhão. Depois, assaltaram um posto policial em San Francisco de Yuruaní e levaram nove pistolas e cinco fuzis.

Durante a fuga, os rebeldes passaram por um ponto de controle militar, onde ocorreu um confronto. Um soldado morreu. O ex-membro da Guarda Nacional Bolivariana Darwin Malaguera Ruiz ficou ferido e acabou sendo preso. Foram recuperados 82 fuzis AK 103, 60 granadas e 6 caixas de munição.

Segundo Camacho, os militares lançaram uma operação para recuperar o restante das armas e deter o restante do grupo rebelde. A sublevação ocorreu em uma zona conhecida como O Arco Mineiro do Orinoco, uma área de 111.000 km², 12% da extensão do país. Trata-se de uma zona amazônica rica em ouro, diamantes e coltan, usado na fabricação de telefones celulares. 

A Rússia tem vários interesses na região. Nas últimas semana, Moscou instalou radares de última tecnologia para, aparentemente, extrair minerais. Se a sublevação se aprofundar, o regime Maduro terá de dar explicações a seu aliado Vladimir Putin. Em mensagens de WhatsApp, os moradores de Santa Elena de Uairén pedem apoio aos rebeldes que, segundo eles, “estão dando a vida pela liberdade da Venezuela”. / Com AFP

 

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