Verba para Cabul custeia insurgência indiretamente

Estão reunidos em Cabul os 60 "países doadores" que ajudam os afegãos a lutar contra o grupo radical islâmico Taleban. O conclave realiza-se no momento em que os ocidentais, incluindo os americanos, se mostram cada vez mais céticos sobre a guerra que Barack Obama transformou na "coluna vertebral" de sua diplomacia, assim que a guerra de George W. Bush no Iraque for liquidada (mais ou menos bem).

Análise: Gilles Lapouge, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2010 | 00h00

Sábia decisão: até agora, o governo afegão só administrava 20% da ajuda internacional, e os outros 80% eram deixados a critério dos doadores dos fundos estrangeiros. As proporções serão revistas: Cabul supervisionará 50% e não mais 20% das doações.

Uma parcela enorme da ajuda estrangeira volta aos países doadores. Em 2008, 40% dos recursos retornaram. Quais são os canais utilizados? Salários de expatriados, prestadores de serviços e empresas de segurança afegãs e que cobram preços absurdos.

Para proteger um caminhão, as companhias exigem de US$ 1 mil a 1,5 mil por dia. Nas regiões perigosas, o valor para um único caminhão chega a US$19 mil por dia. Um caminhão não segurado é um caminhão perdido. Seus motoristas são degolados.

De que maneira as empresas de segurança afegãs podem garantir que os comboios americanos cheguem ilesos ao seu destino? Pagando aos chefes do Taleban uma parte do dinheiro que elas recebem dos americanos. Logo, são os americanos que financiam o orçamento, o armamento, a munição do Taleban. Moral da história: para proteger seus soldados, os EUA financiam os taleban que os matam. / TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA

É CORRESPONDENTE EM PARIS

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