Jean-Francois Badias/AP
Jean-Francois Badias/AP

'Verdadeiro desafio começa após aprovação do Brexit no Parlamento'

A execução para permitir a saída do bloco até o fim do próximo ano não será simples, na avaliação de pesquisadora sobre as relações entre o Reino Unido e a União Europeia no contexto do Brexit

Entrevista com

Georgina Wright, analista do Institute of Government

Renata Tranches , O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2019 | 14h00

Vitória conservadora tornará muito mais fácil para o premiê Boris Johnson obter o aval do Parlamento britânico para finalmente executar a saída do Reino Unido da União Europeia. No entanto, a execução do Brexit dentro do prazo estabelecido, até o fim do próximo ano, não será simples, na avaliação da analista Georgina Wright, pesquisadora sobre as relações entre o Reino Unido e a União Europeia no contexto do Brexit do centro de estudos britânico Institute of Government, em entrevista ao Estado

Podemos dizer que o Brexit é agora irreversível? 

Sim. Uma maioria do Partido Conservador agora significa que será muito mais fácil para o primeiro-ministro ter seu acordo aprovado pelo Parlamento. Quando ele conseguir isso, o Reino Unido estará fora da União Europeia. Então o verdadeiro desafio começa: negociar um acordo futuro com a União Europeia até o fim de 2020.

 

Quais serão os próximos passos com a União Europeia? 

O próximo ano será turbulento. Se você considerar que foram necessários mais de dois anos para negociar o acordo de saída, 11 meses é um prazo muito ambicioso para negociar e passar para o futuro acordo comercial - o que vai cobrir muito mais aspectos do que o acordo de saída cobriu. A União Europeia tem dito que está preparada: o bloco aumentou sua equipe de negociadores e está

no processo de aprovar seu mandato. 

Na sua visão, como será a relação entre o governo conservador de Johnson com a União Europeia? 

A separação será relativamente direta, mas o acordo será mais complicado. Atualmente, há quatro cenários possíveis: a extensão do prazo de transição para permitir mais negociações; o cumprimento do prazo e o estabelecimento de um Brexit mais suave, com a aceitação das demandas da UE; o cumprimento do prazo com o acordo básico; ou a saída sem um acordo. Ainda é cedo para

dizer qual deles é o mais provável. 

Com relação à diplomacia, após o Brexit, como país e bloco deverão se comportar? Haverá um alinhamento? 

Mais uma vez, ainda é cedo para dizer. A declaração política sobre a futura relação deixa claro que o Reino Unido e a União Europeia buscarão trabalhar juntos, mas quão juntos eles ficarão ainda não está claro. Muito da política externa, porém, não fica sob a tutela da União Europeia - muitos estados-membros são aliados dentro da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e podemos esperar que o Reino Unido desempenhe um papel maior nos organismos internacionais. 

 

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