Marilene Paiva/Brazilian Times
Marilene Paiva/Brazilian Times

Vereadora eleita em Framingham é a 1ª brasileira a ocupar um cargo eletivo nos EUA

Comunidade do Brasil na cidade celebrou o fato como um primeiro passo no aumento de sua participação política no território americano

Cláudia Trevisan, correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

08 Novembro 2017 | 14h18

WASHINGTON - Margareth Shepard trocou a cidade goiana de Inhumas por Massachusetts há 25 anos, durante os quais trabalhou como faxineira e montou uma micro empresa de serviços de limpeza. Ela entrou nos EUA com visto de turista e viveu de maneira irregular no país por pouco mais de um ano, até se casar com um americano.

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Na terça-feira, essa brasileira de 59 anos, dois filhos e três netos venceu a disputa por uma das onze cadeiras da Câmara de Vereadores de Framingham e se tornará a primeira brasileira a ocupar um cargo eletivo nos Estados Unidos, o que muitos brasileiros acreditam poder ser o começo do  aumento de sua participação política no país adotivo.

“Nós elegemos uma faxineira. A Margareth representa a maioria das mulheres brasileiras da nossa comunidade”, afirmou Heloísa Galvão, diretora do Grupo Mulher Brasileira, com sede em Boston, a 35 km de Framingham. “Quando uma faxineira olhar para ela, verá que pode chegar onde ela chegou.”

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O Estado de Massachusetts tem uma das maiores concentrações de imigrantes brasileiros nos EUA. Cerca de 15 mil deles vivem na cidade, o equivalente a 20% da população local. A vereadora eleita iniciou sua participação política há cinco anos no Grupo Mulher Brasileira, em uma campanha pela aprovação de projeto de lei que autorizaria o Estado de Massachusetts a emitir carteira de motoristas para imigrantes sem documentos.

Apesar de a Assembleia Legislativa ser controlada por democratas, a proposta não avançou. “Naquele momento eu vi como é importante ter representação política.” Margareth disse que sua vitória é o resultado de um trabalho iniciado há três anos com campanhas de “educação política” da comunidade e de registro de brasileiros como eleitores. Em sua opinião, esse processo tende a se intensificar e a se manifestar em outros Estados com grande presença de imigrantes brasileiros, como a Flórida e a Califórnia.

Margareth é filiada ao Partido Democrata e fez campanha por Hillary Clinton no ano passado. Em sua opinião, os resultados de Framingham mostraram a rejeição da retórica anti-imigrante de Donald Trump.

Cinco brasileiros disputaram as eleições municipais no Estado de Massachusetts. Candidata a prefeita de Framingham, Priscila Sousa ficou em terceiro lugar no primeiro turno da disputa, no mês passado. Pablo Maia disputava 1 das 11 vagas de vereador na cidade, mas perdeu. Stephanie Martins também não conseguiu votos suficientes para a Câmara Municipal de Everett, a 42 km de distância. Mas Marcony Almeida conseguiu se eleger para o Comitê Escolar da cidade.

“A vitória da Margareth é um marco e representa o começo da participação efetiva dos brasileiros na política”, disse o padre Volmar Scaravelli, da Igreja São Tarcísio, de Framingham, que foi transformada em município neste ano. “Quando precisarmos conversar com a cidade, teremos uma representante que fala português e entende a nossa cultura e a situação dos imigrantes.” / C.T.

 

Há 25 anos nos EUA, Margareth trabalhou como babá e faxineira até montar uma pequena empresa de limpeza. Cerca de 30 membros de sua família vivem em Massachusetts, entre os quais seus pais e irmãos.

“Nós elegemos uma faxineira. A Margareth representa a maioria das mulheres brasileiras da nossa comunidade”, afirmou Heloísa. “Quando uma faxineira olhar para ela, verá que pode chegar onde ela chegou.”

A vereadora eleita iniciou sua participação política há cinco anos no Grupo Mulher Brasileira, em uma campanha pela aprovação de projeto de lei que autorizaria o Estado de Massachusetts a emitir carteira de motorista para imigrantes sem documentos. Apesar de a Assembleia Legislativa ser controlada por democratas, a proposta não avançou. “Naquele momento eu vi como é importante ter representação política”, ressaltou Margareth.

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