Henry Abrams/AP
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Veredicto de preso em Guantánamo põe em dúvida estratégia de Obama

Presidente americano quer julgar militantes da Al-Qaeda que planejaram 11/09 em tribunais civis

Charlie Savage - NYT,

18 de novembro de 2010 | 15h28

NOVA YORK - O veredicto do tanzaniano Ahmed Ghailani, absolvido de acusações de terrorismo, mas condenado por conspirar contra propriedade pública nos atentados da Al-Qaeda contra embaixadas americanas na África em 1998, reiniciou o debate sobre a iniciativa do governo Obama em julgar casos de terrorismo em tribunais civis.

Ghailani deve pegar entre 20 anos e prisão perpétua pelo crime pelo qual foi condenado. Críticos da estratégia de Obama dizem que a absolvição em outras 280 acusações mostram que tribunais civis não podem julgar suspeitos de pertencerem à Al-Qaeda.A promotoria deve pedir prisão perpétua.

O julgamento é tido como um teste para a intenção de Obama de levar acusados de terrorismo presos na base à justiça civil. Entre eles estão o arquiteto do 11 de setembro, Khalid Sheik Mohammed e mais quatro suspeitos. 

Uma das testemunhas de acusação foi dispensada pelo juiz por ter sido identificada sob tortura, durante um interrogatório violento em uma base secreta da CIA.

"Este é um alerta para o governo Obama. Ele deve abandonar imediatamente este plano mal concebido para julgar terroristas de Guantánamo", disse o deputado Peter King, republicano de Nova York. "Devemos tratá-los como criminosos de guerra e julgá-los em comissões militares em Guantánamo".

King deve se tornar presidente do comitê de Segurança interna da Câmara na próxima legislatura, que toma posse em janeiro. Ele promete pressionar o Executivo sobre a questão dos julgamentos de acusados de terrorismo. Outros congressistas republicanos, como o texano Lamar Smith, próximo presidente do Comitê de Justiça, deram declarações similares contra a política do presidente.

Defensores do uso de tribunais civis defendem o veredicto. Para Mason Clutter, diretor de uma ONG favorável à medida, diz que Ghailani deve receber uma pena longa e que teria menos argumentos para recorrer à sentença do que se tivesse um julgamento militar.

"O sistema funcionou neste caso", disse. "Não acredito que o julgamento é tão bem sucedido quanto o número de sentenças que ele recebeu. Ele foi julgado conforme provas consistentes, de acordo com a Constituição e o Estado de direito".

Para Juan C. Zarate, ex-assessor de segurança nacional no governo George W. Bush, a questão é se o governo irá libertar um acusado de terrorismo inocentado por um júri civil. "Acredito que isto não irá acontecer. Esta é a verdade. Este caso mostra o quão complicado é o debate político sobre como líder com figuras mais importantes da Al-Qaeda, como Khalid Sheik Mohammed", disse.

Durante a campanha que o levou à presidência em 2008, Obama prometeu fechar a prisão de Guantánamo, criada durante o governo de George W. Bush para abrigar suspeitos de terrorismo.

Com  Reuters e AP

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