Veredicto de Saddam põe Bagdá sob toque de recolher

Autoridades iraquianas ordenaram o fechamento do Aeroporto Internacional de Bagdá por tempo indeterminado, como parte de um toque de recolher que atinge a capital e duas províncias vizinhas, baixado para afastar a ameaça da violência que poderá se seguir ao anúncio do veredicto - e a possível condenação à morte - do ex-ditador Saddam Hussein. A decisão do tribunal é esperada para este domingo, dia 5. Em um pronunciamento transmitido pela televisão, o primeiro-ministro Nouri al-Maliki declarou que os iraquianos devem celebrar o provável veredicto de culpado de modo que "não arrisquem suas vidas". "Esperamos que o veredicto dê a este homem o que ele merece, pelos crimes que cometeu contra o povo iraquiano", disse al-Maliki, que já havia declarado, semanas atrás, que Saddam deveria ser enforcado. O Aeroporto de Bagdá será fechado às 6h da manhã (2h da madrugada, em Brasília), mesmo horário em que o toque de recolher entrará em efeito, disseram um representante do Ministério dos Transportes e um assessor de al-Maliki. As fontes pediram para que seus nomes não fossem divulgados. O toque de recolher cobre tanto veículos quanto pedestres, na capital e nas províncias de Diyala e Salahuddin, de acordo com o assessor de al-Maliki. Horas antes, autoridades iraquianas haviam baixado um toque de recolher de 12 horas sobre as mesmas áreas, e também na província de Anbar. A cidade natal de Saddam, Tikrit, fica em Salahuddin. Muitos sunitas, bem como alguns xiitas e curdos, prevêem uma tempestade se o ex-líder for condenado à morte. Saddam continua a gozar de prestígio entre a comunidade sunita, privilegiada durante seu governo, e tanto o julgamento quanto o atual governo iraquiano falharam em promover uma conciliação nacional. Entre a maioria xiita, perseguida durante o regime de Saddam, prevê-se tempestade se o ex-ditador escapar do cadafalso. Soldados que estavam de folga ou em férias foram convocados, numa das maiores operações de segurança em Bagdá desde que um atentado em Samarra, em fevereiro, desencadeou uma onda de violência entre as comunidades religiosas do país.

Agencia Estado,

04 Novembro 2006 | 13h14

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