Versões sobre agravamento de câncer levam Chávez a desmentir jornal

Rumores sobre uma internação de emergência por causa de uma crise de insuficiência renal fizeram o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, convocar uma rara entrevista coletiva para jornalistas venezuelanos e estrangeiros no jardim do Palácio de Miraflores, sede do governo. De agasalho esportivo, Chávez trocou passes de beisebol com seu chanceler, Nicolás Maduro, numa tentativa de mostrar vigor.

CARACAS, O Estado de S.Paulo

30 Setembro 2011 | 03h07

Ele acusou a imprensa e os EUA de plantarem informações falsas sobre seu estado de saúde. "Não aconteceu nada além do que seja normal nesta etapa do tratamento (de um câncer abdominal)", disse o presidente. "Estou trabalhando com 50% da minha capacidade, mas assumindo com vontade minhas tarefas."

Mais cedo, Chávez tinha desmentido, por telefone, os boatos sobre a internação. "Estão todos equivocados. Eu tive câncer, mas ele foi removido", disse à TV estatal venezuelana. "Temos de acabar com essas especulações. Se algo me acontece, seria o primeiro a informá-los."

Segundo o jornal de Miami El Nuevo Herald, crítico a Venezuela e Cuba, Chávez teria ingressado no Hospital Militar de Caracas na noite de terça-feira com um quadro de insuficiência renal e os médicos chegaram a cogitar de transferi-lo para um clínica privada da capital.

Citando "fontes próximas do presidente", o jornal afirmou também que ele apresentou um quadro de aplasia medular - quando o corpo para de produzir células sanguíneas. Os dois sintomas, acrescentou o diário, seriam decorrentes das sessões de quimioterapia as quais Chávez se submeteu em Cuba.

Bem-humorado, o líder bolivariano brincou com os repórteres e leu a reportagem do jornal americano, ironizando alguns trechos do texto: "Estou bem. Àqueles que não me amam e me desejam mal: azar de vocês", disse.

Ainda de acordo com o diário americano, os supostos sintomas de Chávez indicariam que ele sofre de câncer no cólon. Questionado sobre contra qual tipo de tumor, especificamente, está lutando, o presidente recusou-se a responder. "Para que querem saber? Para aumentar a curiosidade mórbida? Não os satisfarei", disse, visivelmente incomodado.

Chávez também acusou a oposição de usar sua doença politicamente para tentar vencer as eleições presidenciais do ano que vem, na qual tentará um quarto mandato. "Esses rumores fazem parte da estratégia deles, mas terão de lutar contra a realidade", acrescentou. "Isso é parte de uma campanha da qual muitos meios de comunicação fazem parte. É doentio e grosseiro, mas assim é o mundo."

"Hospício". Pelo Twitter, o ministro de comunicação da Venezuela, Andres Izarra, disse que os repórteres do Nuevo Herald - e não seu chefe - precisam de tratamento. "Esses jornalistas deveriam ser internados, não num hospital, mas num hospício", escreveu.

Também na rede de microblogs, o diplomata americano Roger Noriega, ex-subsecretário de Estado para América Latina de George W. Bush, afirmou que Chávez estaria reagindo mal ao tratamento. Além disso, ele alertou os EUA para se prepararem para "um mundo sem Chávez". O presidente negou essas afirmações e chamou Noriega de terrorista. "Todos os exames foram muito bons, até o de colesterol", garantiu. "Tenho glóbulos brancos para dar de presente e a hemoglobina está normal."

Na entrevista, o presidente tratou ainda de outros temas, como o acordo entre a PDVSA e a Petrobrás para a construção da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco (mais informações no Caderno de Economia).

Chávez, de 57 anos, submeteu-se a uma cirurgia em Cuba para retirada de um tumor em 20 de junho. A primeira versão dada pelo governo venezuelano para seu problema de saúde foi a de que o líder bolivariano removera um abcesso pélvico. Em 1.º de julho, o presidente foi a público e admitiu ter câncer, embora sem informar qual tipo. Em julho, ele cedeu parte de seus poderes para o vice Elías Jaua e pediu permissão da Assembleia Nacional para tratar-se em Cuba, onde recebeu quatro sessões de quimioterapia. / EFE, REUTERS e AP

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