Win McNamee/Getty Images/AFP
Win McNamee/Getty Images/AFP

Veterano de guerra e ex-prefeito cresce na briga por indicação democrata

Buttigieg venceu as prévias em Iowa ao visitar mais condados no Estado que seus rivais e transmitir uma mensagem conciliadora

New York Times, OELWEIN, EUA

09 de fevereiro de 2020 | 06h00

OELWEIN, EUA - Dois dias antes das prévias do Estado de Iowa, Pete Buttigieg parou para fazer campanha em Oelwein. A história recente mostra que não há muitos democratas para conquistar na cidadezinha. Durante uma sabatina com eleitores, um homem se virou para ele e o descreveu como um “republicano de quatro costados” e fiscalmente responsável. “Se você não ganhar, não vou votar nos democratas.” “Bom”, respondeu Buttigieg ao grupo de 250 pessoas. “Melhor eu ganhar, então.”

Buttigieg, de 38 anos, ex-prefeito de South Bend, cidade de 100 mil habitantes do Estado de Indiana, conseguiu a façanha. Seu desempenho nos condados rurais de Iowa, na semana passada, o levou a um empate com o senador Bernie Sanders nas prévias do Estado, que inauguraram a temporada de primárias do Partido Democrata e terminarão no meio do ano, com a indicação do adversário do presidente Donald Trump

Agora que as atenções dos democratas se voltam para o Estado de New Hampshire, que realizará suas primárias na terça-feira, Buttigieg se coloca como um dos grandes favoritos, aproveitando o impulso que ganhou em Iowa e fazendo campanha com confiança e com uma grande dose de agressividade.

Pesquisas recentes confirmaram esta semana sua força como um rival moderado do ex-vice-presidente Joe Biden. O instituto Monmouth coloca Buttigieg em segundo lugar em New Hampshire, quatro pontos porcentuais atrás de Sanders. Uma sondagem do Boston Globe e da Suffolk University, publicada na sexta-feira, mostrou que ele está em empate técnico com o senador. 

Durante a maior parte do tempo nestas primárias, os democratas pareciam estar restritos aos arroubos progressistas de Sanders e Elizabeth Warren, ou à segurança de um estadista como Biden. Mas, no fim, os eleitores de Iowa mostram que gostam de Sanders, mas também abraçaram Buttigieg, um vizinho do Meio-Oeste que tem uma biografia invejável: bolsista de Rhodes, veterano militar, que pode fazer história e se tornar o primeiro candidato presidencial dos EUA abertamente gay. 

Para Entender

Como funciona a escolha do presidente dos EUA

No dia 3 de novembro de 2020, 224 milhões de eleitores americanos irão às urnas e darão seu veredicto sobre a presidência de Donald Trump; veja o que mais está em jogo

O fato de ele ter governado uma cidade de 100 mil habitantes não pareceu incomodar seus fiéis eleitores, que gravitaram em direção da sua cantilena suave, de sua busca por soluções orientadas pelo consenso e do que ele chama de “experimento americano”.

Grande parte de seu sucesso pode ser atribuído à geografia e ao tempo. Enquanto Sanders e Warren concentraram suas campanhas nas universidades e nas cidades de Iowa, e Biden nunca criou uma organização de campanha forte, Buttigieg foi a todos os lugares. Ele realizou no Estado mais comícios e encontros durante muito mais tempo do que qualquer adversário. E teve retorno, incluindo uma ótima performance nos subúrbios da capital Des Moines e nas zonas rurais de Iowa.

Buttigieg fez campanha em 27 dos 31 condados do Estado que votaram em Barack Obama, em 2012, antes de serem conquistados por Trump, em 2016 – muitos deles ao longo do Rio Mississippi. Com uma mensagem de conciliação entre as facções do partido e os dois lados do espectro político do país, ele atraiu mais multidões do que qualquer pré-candidato democrata em 20 condados que oscilaram entre Obama e Trump.

A vantagem que ele obteve na região rural de Iowa, que sempre tende a votar nos republicanos, levaram Buttigieg a uma estreita liderança em número de delegados sobre Sanders, carregando para New Hampshire o argumento de que ele é o candidato em torno do qual democratas moderados devem se unir, em oposição ao rival, um senador socialista do Estado de Vermont.

“Precisávamos de um novo caminho a seguir, um que acolhesse as pessoas, em vez de afastá-las, que as reunisse, em vez de separá-las, porque talvez esta seja a nossa melhor, e a nossa última chance”, disse Buttigieg a apoiadores em uma confraternização após as prévias, na noite de segunda-feira, em Des Moines.

Mas, apesar do impulso tomado em Iowa, um Estado essencialmente feito de eleitores brancos, Buttigieg entra na próxima fase da campanha como um candidato mais fraco do que os outros, porque até agora foi incapaz de ampliar sua coalizão e atrair jovens, negros e eleitores de outras minorias, cruciais para vencer Trump.

No entanto, com a falta de brilho de Biden em Iowa – o candidato com o maior apoio entre os negros – a corrida democrata se tornou mais imprevisível. Para Buttigieg, a jornada de prefeito de uma cidade pequena – sem experiência no cenário político nacional – até a vitória nas prévias de Iowa foi construída em meio aos campos de milho iguais aos que ele diz ver de sua casa em Indiana.

Ele agora é um verdadeiro candidato presidencial, o único entre mais de duas dúzias de nomes do Partido Democrata que saltou do anonimato para o primeiro time da disputa. Depois de cair nas pesquisas, em meados de janeiro, e ressurgir das cinzas na reta final, ele ofereceu aos eleitores de Iowa uma mensagem de união em uma era tão tumultuada que muitos sentiram um choque.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.