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Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2015 | 02h02

proibição de fazer campanha na Argentina desde as 8 horas de ontem foi ignorada por meio das redes sociais por militantes dos dois grupos que disputam a eleição amanhã e pelo candidato governista, Daniel Scioli. Em desvantagem segundo todas pesquisas, ele saiu para uma "visita informal" a prefeitos da Grande Buenos Aires, onde está 25% do eleitorado. Sua foto foi divulgada pelo Twitter, o que a lei não impede.

O passeio de Scioli pelas cidades de Almirante Brown, Quilmes e Esteban Echeverría - cujo prefeito Fernando Gray subiu uma foto em sua conta de Twitter -, surpreendeu os moradores. Não é frequente ver um candidato no período em que a Justiça eleitoral proíbe atos públicos de convencimento a eleitores e publicação de pesquisas eleitorais. Ao jornal Clarín, integrantes da campanha de Scioli responderam que não estava proibido andar pela rua.

O professor de comunicação da Universidade de Buenos Aires (UBA), Henoch Aguiar, especialista em legislação ligada à liberdade de expressão, considera o ato uma artimanha que vai contra o espírito da norma, mas não pode ser punida.

"Há um problema de contraposição da ética política ao direito no sentido estrito. Todas manobras que se utilize, como a as redes sociais, que não estão e não podem ser reguladas, são uma maneira de burlar uma proibição que é clara", diz o professor, que identifica na medida um sinal de "baixa qualidade democrática" porque o prefeito não pode alegar que desconhece a norma.

O ato de campanha informal do representante do kirchnerismo ocorre num ambiente de preocupação para sua campanha quanto ao resultado do segundo turno, disputado amanhã. Scioli venceu a primeira etapa da eleição por 37%, ante 34,1% obtidos por Macri, mas o resultado frustrou o governo e inverteu a expectativa de triunfo. Pesquisas apontavam que Sicioli estava próximo de obter a vitória no primeiro turno - possível com 40% dos votos e 10 pontos sobre o segundo colocado.

Ao projetar o voto dos indecisos proporcionalmente entre os dois, os institutos de pesquisa ignoraram uma migração massiva para Macri de três tipos de eleitores: os que não haviam participado na eleição primária de agosto, os que não tinham se decidido e os que abandonaram um candidato com pouca chance para evitar uma vitória kirchnerista no primeiro turno. "Erramos todos ao fazer essa projeção", diz a consultora Anália del Franco.

Outro possível sinal da vantagem macrista é que o uso do Facebook e do Twitter para obter alguma vantagem nos últimos dias antes da votação é mais frequentes entre eleitores governistas. Ontem, um vídeo popular em perfis antimacristas era de um ato falho do prefeito de Buenos Aires ao encerrar na quinta-feira sua campanha em Humahuaca, cidade turística conhecida na Província de Jujuy, na fronteira com a Bolívia. No momento em que prometia uma Argentina de "progresso", o conservador confundiu-se e disse as duas primeiras sílabas de "pobreza". Militantes kirchneristas insinuaram que era seu subconsciente.

Macri promete retirar o controle sobre o câmbio, vigente desde 2011, no primeiro dia de governo, em 10 de dezembro. Segundo Scioli, isso desvalorizaria bruscamente o peso, o que causaria perda do poder de compra. O macrismo chama essa acusação de "campanha do medo". No perfil do Facebook "Antikirchneristas Unidos", havia denúncia de policiais fazendo campanha por Scioli e por seus empregos, post também publicado no horário proibido.

Segundo Aguiar, esse "jeitinho" encontrado na web reflete decadência social. "A cultura da transgressão nos aproxima de uma anomia e demonstra falta de cultura de convivência, que estimula a picardia e a esperteza."

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