Khaled Elfiqi/Efe
Khaled Elfiqi/Efe

Veto a candidatos põe em xeque eleições egípcias

Volta de ex-vice de Mubarak aumentaria tensão entre militares e Irmandade Muçulmana

David D. Kirkpatrick, The New York Times,

16 de abril de 2012 | 21h38

CAIRO - Os candidatos da corrida presidencial do Egito tiveram dificuldade de se equilibrar num terreno cada vez mais escorregadio quando surgiram novos questionamentos sobre se o ex-chefe de espionagem de Hosni Mubarak teria autorização para competir.

Um dia depois de a comissão para a eleição presidencial tirar da disputa três dos cinco concorrentes mais bem situados com base em diversas considerações técnicas – a pouco mais de um mês do início da votação – no domingo ela esclareceu que havia desqualificado o ex-chefe da inteligência, Omar Suleiman, por ele ter apresentado 31 declarações de endosso autenticadas a menos que as 30 mil requeridas para entrar na disputa. Não ficou claro se a sua campanha teria a permissão de completar a diferença.

O suspense sobre a elegibilidade de Suleiman aumentou as dúvidas sobre a credibilidade do processo eleitoral provocadas pela decisão radical da comissão eleitoral, no sábado à noite, de tirá-lo da disputa junto de dois influentes islâmicos: Khairat al-Shater, o principal estrategista da Irmandade Muçulmana, e Hazem Saleh Abu Ismail, o paradigma do islamismo ultraconservador.

Numa corrida dominada por islâmicos de um lado e por ex-autoridades do governo Mubarak, mais seculares, de outro, o anúncio de sábado pareceu ao menos equilibrado ao tirar da disputa os concorrentes mais polarizadores em ambos os campos. Mas um retorno potencial de Suleiman, de 75 anos, destruiria esse equilíbrio. Ele recolocaria os movimentos islâmicos no estado de alta ansiedade criado pela sua entrada na disputa, em último minuto, há apenas uma semana. Suleiman era virtualmente o alter- ego de Mubarak, franco em sua visão de que o Egito não estava pronto para a democracia, e abertamente hostil aos islâmicos que hoje dominam o Parlamento e disputam a presidência.

Suleiman defende mais claramente do que qualquer outro ex-funcionário do governo Mubarak uma restauração da antiga ordem. E ele tem laços profundos como os serviços de inteligência – seu diretor de campanha é seu ex-comandante do serviço secreto –, levantando temores de que seus funcionários poderão retomar táticas da era Mubarak como grampear escritórios de candidatos e fraudar as eleições.

É difícil medir a popularidade de Suleiman, mas seus adversários temem que sua mensagem de lei e ordem possa encontrar eco em egípcios frustrados com a agitação política e os sofrimentos econômicos que vêm enfrentando desde a deposição de Mubarak.

Dezenas de milhares de islâmicos se manifestaram, na última sexta-feira, no centro do Cairo contra a candidatura de Suleiman. O Parlamento apressou-se em aprovar uma lei que o proibiria de concorrer, se os atuais governantes militares do Egito a chancelarem e a medida sobreviver a um questionamento legal.

 

Os três candidatos disseram, no domingo, que vão apelar da decisão da comissão, a qual deve emitir a lista final de candidatos dentro de alguns dias.

A Irmandade Muçulmana, grupo islâmico dominante que atualmente controla o Parlamento, disse no domingo que estava preparada para continuar na campanha mesmo sem o seu primeiro indicado, Shater. Apesar de os advogados do grupo contestarem sua desqualificação – por uma condenação em julgamento político na era Mubarak – Shater disse que estava pronto para endossar o candidato respaldado pelo grupo, Mohamed el-Mursi, presidente do braço político da Irmandade.

Abu Ismail, o islâmico salafista ultraconservador, foi desqualificado porque sua mãe se tornou cidadã americana antes de morrer, o que o impede de disputar a presidência de conformidade com a lei aprovada após a saída de Mubarak. / TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK

 

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