Veto à compra de papel-jornal é 'censura', diz SIP

A demora da Venezuela para liberar dólares para as empresas jornalísticas importarem papel-jornal pode ser um "golpe fatal" para a imprensa independente e crítica, alertou ontem a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, em espanhol). "Se o governo venezuelano não mudar sua posição e não permitir que a imprensa tenha a possibilidade de obter divisas para comprar insumo básico, isso será um golpe fatal e acabará com toda voz crítica ao governo", afirmou o presidente Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da SIP, Claudio Paolillo à agência EFE. As dificuldades enfrentadas pelos jornais críticos seriam equivalentes a um "sistema de censura" indireto, ressaltou Paolillo.

EFE/O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2014 | 02h04

Na semana passada, editores de várias publicações alertaram que seus estoques de papel-jornal estavam chegando ao fim. Segundo Paolillo, o Artigo 13 da Convenção Americana de Direitos Humanos estabelece que o papel-jornal é um insumo fundamental para o exercício da liberdade de imprensa e "não se pode restringir o direito de expressão por vias e meios indiretos, tais como o abuso de controles oficiais ou particulares de papel de imprensa".

Em razão da falta de papel-jornal, pelo menos dez publicações deixaram de circular na Venezuela. Outras 21 enfrentam dificuldades para comprar a matéria-prima - dessas, seis têm estoque apenas até fevereiro.

"Desde maio, pararam de liberar os dólares. Tivemos de cortar suplementos e páginas e isso ocorreu com todos os jornais do país", afirmou o presidente do jornal de Caracas El Nacional, Miguel Henrique Otero.

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