Veto a dalai-lama adia conferência de paz sul-africana

Os organizadores de uma conferência de paz em Johannesburgo adiaram o evento depois de o governo da África do Sul ter decidido proibir a participação do dalai-lama. O governo sul-africano recusou-se a emitir um convite oficial ao líder espiritual tibetano para preservar suas relações com a China. Hoje, Irvin Khoza, presidente da comissão organizadora da Copa do Mundo de 2010, que promovia o evento, disse a jornalistas que a conferência foi adiada por tempo indeterminado "por causa da controvérsia em torno da presença do dalai-lama". Mais tarde, o governo da África do Sul informou que não emitirá nenhum visto de entrada ao dalai-lama antes da Copa do Mundo do próximo ano.

AE-AP, Agencia Estado

24 de março de 2009 | 09h14

Ontem, a África do Sul informou ter proibido o dalai-lama de participar de uma conferência de paz em Johannesburgo originalmente prevista para esta semana. O governo sul-africano argumentou ter tomado a decisão para não colocar em risco suas relações com a China. A medida foi criticada por parte da Comissão Nobel e de outras entidades e indivíduos. Antes do adiamento anunciado hoje, o arcebispo aposentado da Cidade do Cabo Desmond Tutu, que como o dalai-lama ganhou o Prêmio Nobel da Paz, e integrantes da Comissão Nobel cancelaram seus planos de participação na conferência.

O dalai-lama é celebrado em grande parte do mundo como uma figura de autoridade moral, mas Pequim o acusa de tentar destruir a soberania da China por defender a independência do Tibete. O líder religioso, por sua vez, alega estar em busca de "autonomia verdadeira", e não da independência do Tibete. O dalai-lama estabeleceu-se na Índia desde que fugiu do Tibete em 1959, quando um levante armado contra Pequim fracassou. O Tibete é parte integrante da China moderna.

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