"Véus limitam o poder da mulher", diz Rushdie

O escritor anglo-indiano Salman Rushdie irritou mais uma vez os seguidores de Maomé. Nesta terça-feira, afirmou à emissora Radio 4, da britânica BBC, que o véu usado por muitas muçulmanas "tira o poder da mulher", em vez de emancipá-la.Em entrevista ao jornal The Independent, o ex-presidente do Conselho Britânico Islâmico, Iqbal Sacranie, disse que o autor, jurado de morte pelo aiatolá Khomeini por causa da publicação, em 1989, de Versos Satânicos, não tem credibilidade entre muçulmanos. "Você só pode estabelecer um debate com pessoas com mentes abertas, não fechadas", disse. "Islamofóbicos fazem hoje tudo o que podem para nos atacar e não me surpreende se ele estiver agora entrando na onda".À rádio, Rushdie também disse que tem três irmãs e uma família muçulmana numerosa, mas que não conhece ninguém que aceite usar o véu islâmico."Acho que a batalha contra o véu tem sido uma longa e contínua luta contra a limitação da mulher", disse Rushdie, em meio à polêmica gerada pelo líder da Câmara dos Comuns e ex-ministro de Assuntos Exteriores do Reino Unido, Jack Straw.Na semana passada, Straw pediu que as muçulmanas renunciassem ao véu porque a peça representaria um obstáculo à integração entre as comunidades. As palavras foram imediatamente criticadas por líderes islâmicos e por políticos da oposição parlamentar.Véu na sala de aulaNesta quarta, o ministro da Educação britânico Bill Rammel, engrossou o coro contra o véu. Afirmou que muitos professores se sentiam incomodados com alunos que vestiam a burka e apoiou o Imperial College, de Londres, que proibiu o uso de qualquer peça que cobrisse o rosto. "Acho que esta é, discutivelmente, a melhor decisão", disse ao London Evening Standard.Ao contrário de outros países europeus como a França, que censura os véus tradicionais nas escolas, a Grã-Bretanha não impõe, oficialmente, restrições quanto à vestimenta tradicional. A Federação das Sociedades Islâmicas Estudantis (Fosis, na sigla em inglês) criticou o comentário do ministro. "Nenhum estudante deveria ser forçado a escolher entre o ensino e sua religião", disse o porta-voz da Fosis, Amar Latif, à agência de notícias Reuters.

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