Viagem de Londres para São Paulo dura mais de 60 horas

Uma viagem que normalmente dura 12 horas se transformou em uma jornada de 60 horas. Foi essa a situação que eu enfrentei ao tentar sair da Grã-Bretanha neste final de semana, dias depois que o governo aumentou o nível de segurança nos aeroportos do país, devido a suspeitas de atentados em aviões.Minha passagem estava marcada para as 20h30 (16h30 no horário de Brasília) de sábado. A previsão era chegar em São Paulo às 16h55 (horário de Brasília) de domingo.Normalmente, uma viagem entre Londres e São Paulo dura apenas 12 horas, mas, como estava em alta temporada, tive de fazer uma conexão por Amsterdã, na Holanda, aumentando o tempo de viagem para mais de 24 horas.Só consegui aterrissar no Brasil às 6h da manhã de terça-feira, após uma maratona de filas, cancelamentos e atrasos.SábadoA maratona começou na tarde de sábado. Fui para o aeroporto de táxi com três horas e meia de antecedência. Pela manhã, eu já havia checado, pela Internet, que meu vôo estava confirmado. Também comprei uma mala, pois bagagens de mão estavam vetadas.No caminho para Heathrow - o maior aeroporto da Grã-Bretanha -, várias ruas foram fechadas pela polícia, sem nenhuma explicação aos motoristas sobre o motivo e sem orientações de como proceder.Em vez de 40 minutos, precisei de duas horas para chegar ao aeroporto do meu hotel - perto de Notting Hill, na região central de Londres.Ao chegar a Heathrow, uma cena inusitada. Centenas de passageiros do lado de fora do terminal tentavam obter informações sobre suas viagens. Apenas aqueles que tinham vôos confirmados para o dia podiam entrar no terminal.Do lado de dentro do terminal, poucos passageiros e funcionários circulavam. Logo descobri que meu vôo para Amsterdã - como a grande maioria daquele dia - também havia sido cancelado. A única opção que a companhia holandesa me ofereceu foi de marcar uma passagem para São Paulo via Paris, na noite seguinte, por outra empresa aérea.Na saída de Heathrow, passageiros ligavam de seus celulares para hotéis tentando agendar mais uma noite de hospedagem. O caso mais dramático era o da delegação do time holandês de futebol Feyernoord, que procurava estadia para seus cansados jogadores. Eles haviam recém jogado uma partida naquela tarde.Partida No domingo à tarde, conferi que meu vôo para Paris estava confirmado. Fui de metrô para o aeroporto - economizando uma hora no trajeto para o Heathrow - e encontrei a mesma situação do dia anterior. Porém, no domingo, os passageiros do lado de fora do aeroporto tinham de agüentar a forte chuva.Desta vez, consegui fazer o check-in e entrei na área de embarque. Não pude levar nada de bagagem de mão, nem mesmo um livro. A revista de segurança, no entanto, foi muito mais rápida do que haviam dito na televisão. Não esperei mais de 15 minutos na fila (alguns passageiros haviam enfrentado até 90 minutos de espera).Lá dentro, praticamente todos os vôos estavam atrasados. Os passageiros passavam o tempo comprando nas free shops, já que, para itens comprados lá, não havia restrição de bagagem de mão. Com exceção para aqueles que voavam para os Estados Unidos. Estes não podiam carregar nada comprado ali.Mas alguns ainda tiveram pior sorte. Passageiros de uma companhia aérea alemã tiveram seus vôos cancelados já na área de embarque, depois de fazer o check-in. Foram reaver suas bagagens nas esteiras de chegada, mesmo sem ter partido de lugar algum.O meu vôo atrasou duas horas e saiu de Londres com lotação muito abaixo do normal. Acabei perdendo a conexão em Paris, onde cheguei depois da meia-noite (horário local).O próximo vôo para o Brasil era apenas às 23h30 da segunda-feira. Alguns nigerianos que conheci, com conexão para Lagos, ainda teriam de esperar dois dias para viajarem.Desta vez, a companhia aérea assumiu todos os custos, providenciando acomodação, transporte e refeições a todos. Na noite de segunda-feira, finalmente consegui embarcar do aeroporto Charles de Gaulle para São Paulo. O vôo saiu no horário e com lotação quase esgotada.Às 6h (horário de Brasília) de terça-feira, 60 horas depois de minha ?primeira? saída de Londres, cheguei ao aeroporto internacional de Guarulhos, em São Paulo.

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