Vice argentino reativa pressão por 3º mandato para Cristina

O vice-presidente da Argentina e presidente do Senado do país, Amado Boudou, ocupou ontem no centro do noticiário político após dizer, em uma reunião com apoiadores do governo, que o início das discussões sobre uma reforma constitucional para permitir um terceiro mandato para Cristina Kirchner não pode esperar até 2015, ano das próximas eleições presidenciais.

MARINA GUIMARÃES, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2012 | 03h01

Ontem, ele tentou suavizar o peso de suas declarações, feitas na quinta-feira diante de 70 dirigentes políticos ligados ao governo. A declaração foi feita no encerramento do encontro, após intervenção da deputada provincial (estadual) de Buenos Aires, Fernanda Raverta, representante do movimento de jovens kirchneristas La Cámpora, que defendeu a continuidade de Cristina Kirchner na presidência do país.

Boudou alegou ontem que fez a declaração como militante, não como membro do governo. Boudou disse que "não é tempo de falar de engenharias eleitorais ou candidaturas". Logo, fez uma veemente defesa da administração de Cristina Kirchner. "O que eu sei é que a Argentina encontrou uma líder, que é muito mais que uma governante", elogiou.

O debate sobre a reforma surgiu há um ano, quando Cristina se preparava para a campanha das eleições de outubro de 2011.Na ocasião, a deputada Diana Conti, também da ala governista do Partido Justicialista, Frente pela Victória (FPV), tentou emplacar a campanha "Cristina eterna", mas a Casa Rosada inibiu a iniciativa. Após a esmagadora vitória com 54% dos votos na última eleição, os defensores de um terceiro mandato retomaram a bandeira.

A última reforma constitucional argentina ocorreu em 1994, durante o primeiro mandado de Carlos Menem, abrindo caminho para sua reeleição. Uma pesquisa realizada pela consultoria Ipsos-Mora y Araújo, publicada pelo jornal El Cronista na quinta-feira, mostrou que 54% dos entrevistados são contra uma terceira candidatura de Cristina, enquanto 35% disseram que estão a favor.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.