REUTERS/Mariana Bazo
REUTERS/Mariana Bazo

Vice assume a presidência no Peru e promete diálogo e reformas

Martín Vizcarra disse que montará um novo gabinete e foi aplaudido por fujimoristas

O Estado de S.Paulo

23 Março 2018 | 20h21

LIMA - O novo presidente do Peru, Martín Vizcarra, tomou posse nesta sexta-feira, 23, no Congresso peruano após a renúncia de Pedro Pablo Kuczynski (PPK), e prometeu um governo de diálogo e uma ampla reforma ministerial no país. “O Peru vai chegar ao seu bicentenário em uma situação de instabilidade e ansiedade institucional que nenhum peruano poderia desejar. Chegou a hora de dizer basta”, disse Vizcarra.

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Em sua primeira mensagem à nação, o novo presidente anunciou reformas e pediu à oposição no Congresso que pusesse “fim à política de ódio e confronto”. Ele também exortou os parlamentares a apurarem a responsabilidade pelos “eventos graves” no país, em referência aos subornos da construtora Odebrecht pagos nos governos de Alejandro Toledo, Alan Garcia e Ollanta Humala. “Qualquer tipo de irregularidade deve ser punida de acordo, a justiça deve agir com independência, responsabilidade e velocidade.”

“Este ponto final é o ponto de partida de uma nova etapa de refundação institucional do país, de reformas profundas, nas quais a democracia e o respeito pelos outros são bandeiras que deixam de lado interesses e apetites pessoais e priorizam o bem-estar de todos”, disse Vizcarra. 

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Antes de começar o discurso no Congresso, Vizcarra disse que o gabinete ministerial não terá nenhum ministro da equipe liderada pela segunda vice-presidente, Mercedes Araoz. Depois do anúncio, a maioria dos congressistas, entre eles os do partido fujimorista Força Popular, aplaudiram. 

No Peru, os ministros são chefiados pelo segundo vice-presidente, considerado uma espécie de primeiro-ministro. Quem ocupa este cargo é Mercedes Araoz. “Em poucos dias vou formar um gabinete de ministros, que será completamente novo, o presidente do Conselho de Ministros vai dar detalhes da política de Estado que vamos tomar, compartilhar com você as diretrizes gerais pelas quais este governo vai se guiar”.

Fujimorismo. A líder e ex-candidata presidencial da Força Popular, Keiko Fujimori, parabenizou Vizcarra e desejou boa sorte ao presidente. “Eu e toda a Força Popular desejamos a Vizcarra sucesso na gestão que está começando hoje”, escreveu Keiko em sua conta no Twitter. 

A parlamentar Luz Salgado, uma das principais congressistas da Força Popular, afirmou em entrevista à rádio Panamericana de Lima que Keiko e os políticos do partido se reuniram e decidiram apoiar o governo de Vizcarra. “Na sexta-feira, tivemos uma reunião com Keiko Fujimori e ela disse que teremos que apoiar Vizcarra para levar o país adiante. DAremos todo o apoio a ele, para que ele tenha tempo para arrumar a casa, acertar as contas”, disse Salgado. “Queremos que Vizcarra saiba que estamos aqui para construir o Peru.”

Na luta dos herdeiros do ex-ditador Alberto Fujimori pelo controle do partido Força Popular, Keiko, de 42 anos, levou a melhor sobre o irmão, Kenji, de 37. Em guerra pela liderança do partido desde que perdeu as eleições para Pedro Pablo Kuczynski (PPK), em 2016, Keiko deu a cartada final em Kenji na terça-feira, depois da divulgação do vídeo que provocou a renúncia de PPK. 

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No vídeo, Kenji e outros congressistas dissidentes do Força Popular oferecem favores ao também parlamentar Moisés Mamani para que ele vote contra o impeachment de PPK, em dezembro. Na ocasião, Kuczynski se livrou do processo. Após a divulgação do vídeo, o Congresso peruano iniciou o processo para retirar o foro privilegiado de Kenji e de outros legisladores. Agora, o futuro do caçula da família Fujimori, deputado mais votado nas últimas eleições, depende do Congresso dominado por partidários de Keiko. / AFP, AP e REUTERS

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