Vice-chanceler russo rejeita proposta britânica sobre o Iraque

O vice-ministro russo das Relações Exteriores, Yuri Fedotov, rejeitou hoje uma proposta britânica para angariar apoio a uma resolução apoiada pelos Estados Unidos sobre o Iraque. Para Fedotov, a medida não resolve o desacordo com relação ao uso da força militar para obrigar Bagdá a se desarmar.Fedotov disse à The Associated Press que o compromisso britânico não muda a natureza do ultimato da proposta de resolução apoiada pelos EUA perante o Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU).Parece certo que a proposta britânica não dissuadirá a Rússia de utilizar seu poder de veto no CS da ONU. "A questão não é vetar ou deixar de vetar", explicou Fedotov. "A questão é que a proposta não goza de apoio dentro do Conselho de Segurança e obviamente carece de apoio entre as Nações Unidas em geral."Fedotov lembrou ainda que a maioria da comunidade internacional "está claramente a favor de uma solução diplomática para a crise". Autoridades norte-americanas alertaram a Rússia de que um eventual veto poderia prejudicar as relações bilaterais, pelo menos no curto prazo. Ontem, um diplomata norte-americano revelou que Washington está tentando convencer Moscou a abster-se de votar, em vez de vetar a resolução.Fedotov, no entanto, disse que por enquanto os EUA entenderam que a oposição russa ao uso da força é "decisiva". ?Não deixaremos passar nenhuma resolução contendo um ultimato que abra as portas para a opção militar", afirmou.Na opinião do diplomata, as conseqüências de uma eventual ação militar seriam "devastadoras", ampliariam a crise no Oriente Médio e dariam a grupos extremistas um novo pretexto para agir.Fedotov alertou também que não se deve buscar uma resolução na ONU apenas para conseguir a mudança de regime do Iraque. ?Este assunto diz respeito apenas ao povo iraquiano".Ele aproveitou ainda para negar que Moscou teria aventado a possibilidade de renúncia de Saddam Hussein ou procurado negociar um exílio para o presidente iraquiano. "Ele não está em busca de asilo e temos todos os motivos para crer que ele ficará."

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