Vice chinês diz que Japão tem de controlar suas ações sobre ilhas

Para Xi Jinping, futuro líder da China, Tóquio deve conter retórica sobre arquipélago reivindicado pelos dois países

PEQUIM, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2012 | 03h08

O vice-presidente da China, Xi Jinping, disse ontem em encontro com o secretário de Defesa americano, Leon Panetta, que a decisão do governo japonês de comprar de um agente privado um arquipélago reivindicado por Pequim é sem sentido e Tóquio devia controlar suas ações.

A disputa deteriorou as relações entre as duas maiores economias da Ásia. Na terça-feira, milhares de chineses saíram às ruas do país para protestar contra o Japão, no aniversário de 81 anos da invasão japonesa.

"O Japão deveria controlar sua conduta e evitar qualquer discurso que viole a integridade territorial chinesa.", disse Xi, segundo a agência estatal Xinhua. O vice-presidente, que se afastara das funções públicas em razão de uma lesão na coluna, deve substituir Hu Jintao na presidência do país.

Ainda ontem, o governador de Tóquio, Shintaro Ishihara, ideólogo do projeto de compra das ilhas, criticou a posição chinesa. "Se o Japão se rende à China, a hegemonia chinesa sobre as águas asiáticas será facilmente estabelecida", declarou.

Ao longo da semana, empresas japonesas foram fechadas na China e a Embaixada do Japão em Pequim foi cercada por manifestantes. As relações sino-japonesas são afetadas pelas lembranças da ocupação japonesa da China, nos anos 30 e 40.

Panetta expressou sua preocupação com a disputa. Para o chefe do Pentágono, a tensão pode levar a um conflito maior. "Compreendo as feridas profundas que a China sofreu durante a 2.ª Guerra, mas, ao mesmo tempo, não podemos viver no passado", disse.

Ameaças. O secretário não firmou nenhum acordo, mas disse ter assegurado que os planos americanos de adicionar tropas, navios e uma nova instalação de defesa antimíssil na região não têm como objetivo de ameaçar a China. "Nosso reposicionamento na região do Pacífico não é uma tentativa de conter a China", disse Panetta. / REUTERS

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