Vice chinês pede desnuclearização a Pyongyang

Mais alta autoridade de Pequim a visitar o país desde 2011, Li Yuanchao participa de cerimônias dos 60 anos do armistício que pôs fim à Guerra da Coreia

PYONGYANG, / REUTERS e NYT, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2013 | 02h06

O vice-presidente da China, Li Yuanchao, defendeu a desnuclearização da Península Coreana e a retomada das negociações para o desmantelamento do programa nuclear de Pyongyang durante encontro na quinta-feira com o ditador norte-coreano, Kim Jong-un - pressionado pela primeira vez de forma significativa por seu principal aliado.

Li está na Coreia do Norte para participar das cerimônias que marcam os 60 anos do armistício que colocou fim à Guerra da Coreia (1950-1953), na qual a Coreia do Norte e a China lutaram lado a lado contra forças da Organização das Nações Unidas (ONU) lideradas pelos EUA.

Integrante do Politburo, o vice-presidente é a mais alta autoridade chinesa a visitar a Coreia do Norte desde Kim Jong-un assumir o comando do país, em dezembro de 2011, depois da morte de seu pai, Kim Jong-il.

Segundo Li, o governo de Pequim quer trabalhar com os norte-coreanos para "fortalecer a comunicação e a confiança mútuas, expandir as trocas e a cooperação em vários campos e promover os laços bilaterais".

A China é o principal aliado, maior parceiro comercial e mais importante fonte de ajuda do regime, cujo isolamento aumentou depois de testes nucleares e do lançamento de foguetes condenados pelo Conselho de Segurança da ONU.

A censura e as sanções contra a Coreia do Norte tiveram apoio de Pequim, que se opõe às ambições nucleares de Pyongyang. Mas o programa atômico ganhou impulso sob o comando de Kim Jong-un, que o colocou no centro de sua agenda militar e o declarou inegociável.

As divergências entre os dois países ficaram evidentes na cobertura do encontro feita pelas imprensas oficiais de Pequim e Pyongyang. A agência oficial de notícias chinesa Xinhua afirmou que Kim Jong-un apoia a intenção chinesa de retomar a negociação de seis partes sobre o programa nuclear de Pyongyang, que envolve os dois países e Coreia do Sul, Japão, Rússia e EUA. Segundo a Xinhua, o líder norte-coreano disse que seu país precisa de uma "situação externa estável" para se desenvolver.

A imprensa oficial de Pyongyang não fez nenhuma menção direta à desnuclearização nem à retomada das negociações de seis partes, que o país abandonou em 2009 depois de o Conselho de Segurança da ONU condenar o lançamento de um foguete oficialmente destinado à colocação de um satélite em órbita - para os EUA, tratava-se do teste de um míssil balístico intercontinental.

Os 60 anos do armistício serão marcados hoje com uma grande parada militar em Pyongyang.

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