Vice colombiano garante que Farc perpetraram atentado

Em meio às dúvidas levantadas por políticos e analistas colombianos acerca da autoria do atentado com carro-bomba em uma zona militar de Bogotá na última quinta-feira, o vice-presidente da Colômbia, Francisco Santos Calderón, disse nesta segunda-feira ter certeza de que os responsáveis pela explosão foram os rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). As Farc são a maior e mais antiga guerrilha marxista da América Latina.Em visita ao Brasil para promover novos destinos turísticos na Colômbia - parte de uma agressiva campanha para "limpar" a imagem do país no mundo -, Santos afirmou não ter dúvidas de que a ação foi planejada pelos guerrilheiros. "Para mim, não cabe a menor dúvida de que foram as Farc", disse o vice-presidente.Atribuída aos rebeldes marxistas pelo presidente colombiano, Álvaro Uribe, a explosão de um carro-bomba na última quinta-feira na Escola Superior de Guerra de Bogotá frustrou uma nova tentativa de negociações para a troca de 59 cidadãos seqüestrados pelas Farc por cerca de 500 guerrilheiros mantidos presos pelo governo colombiano. Sem outras opções, a libertação dos seqüestrados - entre eles a ex-candidata presidencial Ingrid Bitencourt - só será possível agora pela via militar. "Desde a reeleição de Uribe o governo vinha mantendo uma linguagem de abrir portas, para conseguir um clima favorável às negociações. E a resposta é um carro-bomba", disse Santos, que reiterou que o governo não abrirá mais canais de negociações com o militantes. Segundo ele, as negociações não são essenciais para avançar no combate às atividades guerrilheiras. "Já são quatro anos sem negociar com as Farc, e só estamos melhorando. A iniciativa de reabrir as negociações seria uma maneira de acabar de vez com essa questão. Se eles não querem negociar, vamos seguir protegendo os colombianos", disse.Para muitos na Colômbia, no entanto, faltam indícios para atribuir a autoria do atentado às Farc. É o que pensa o procurador-geral colombiano, Mario Iguarán. "Não podemos fazer acusações porque não temos as evidências", disse ele em entrevista no final de semana. Até agora, as Farc ainda não comentaram a explosão do carro bomba da última quinta-feira.Nesta segunda-feira, relatos na imprensa colombiana reforçam as declarações do procurador. Segundo reportagem publicada no site da Rádio Caracol, somente o partido de Uribe, o Partido da U, expressou total apoio à decisão do mandatário em cancelar as negociações com os guerrilheiros. Já as outras forças políticas - inclusive aliadas ao presidente - classificaram o rompimento como precipitado. Segundo o porta-voz do uribista Partido Cambio Radical, a decisão do mandatário foi "apressada" e "exagerada", pois "há muitas dúvidas sobre a origem do atentado que ainda não foram sanadas". Jogando com a vida dos refénsOutros críticos tomaram posição mais dura. Para o líder oposicionista e ex-candidato presidencial colombiano Carlos Gaviria, do esquerdista Polo Democrático, Uribe está "jogando com a vida dos reféns".A afirmação de Gaviria encontra respaldo na posição defendida pelos familiares dos seqüestrados, que durante o final de semana protestaram contra a possibilidade de que operações militares sejam realizadas para resgatar os reféns. Muitos temem que seus entes queridos sejam mortos durante uma eventual ação policial. Na terça-feira, organizações não-governamentais realizarão uma jornada de "resistência civil" contra a decisão de Uribe.Embora diga que "não há como avançar no diálogo com as Farc", o vice-presidente Santos não descarta os riscos de eventuais operações militares. "Toda operação de resgate apresenta riscos", disse. Segundo ele, no entanto, os esforços militares para um resgate de prisioneiros estão em estágio avançado. "Estamos muito perto dos seqüestradores. Mas as operações devem ser feitas com todo o cuidado."Em agressiva campanha para promover destinos turísticos da Colômbia no Brasil, Santos admitiu que a notícia de mais uma tentativa frustrada de libertar os seqüestrados pode voltar manchar a imagem do país perante a comunidade internacional. Mas acrescentou que o antídoto para isso é a divulgação dos resultados positivos das políticas de segurança do governo. "Todos os índices de violência estão diminuindo."Segundo dados fornecidos pela assessoria de imprensa da Embaixada da Colômbia em São Paulo, o número de seqüestros na Colômbia caiu 72% entre 2002 e 2005. Em cidades como Bogotá e Medellín, as taxas de homicídio diminuíram 79% e 90% respectivamente nesse mesmo período.

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