Rodrigo Abd/AP
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Vice de Cristina irá a julgamento público por suspeita de fraude

Amado Boudou responde a processo por ter falsificado documento de carro importado em 1993 para enganar a mulher

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2014 | 02h01

O vice-presidente argentino, Amado Boudou, irá a julgamento público pelo delito de falsificação de documentos na compra de um automóvel de luxo nos anos 90. Boudou, intimado ontem pelo juiz federal Claudio Bonadío, será o primeiro vice-presidente em exercício do cargo da história da Argentina a sentar no banco dos réus.

A documentação do veículo teria sido adulterada para trocar a data de compra de 1993 para 1992. O motivo seria indicar que o carro pertencia a Boudou antes de seu casamento com Daniela Andriuolo, evitando que o automóvel fosse partilhado em caso de divórcio - a separação veio, de fato, em 1998.

O vice de Cristina Kirchner negou as acusações e afirmou ser vítima de "fuzilamento midiático" de "inimigos" do governo. Os partidos de oposição exigem a licença ou renúncia de Boudou. No entanto, nos últimos meses o vice afirmou em diversas ocasiões que não deixará seu cargo.

Caso seja condenado, o vice-presidente pode ser sentenciado a pena que varia de 1 a 6 anos de prisão. Boudou tem imunidade, mas o mandato do vice termina no dia 10 de dezembro do próximo ano, quando encerra-se o governo da presidente.

Gráfica. Boudou também está sendo processado desde junho pelo juiz federal Ariel Lijo por suspeita de, em 2010, quando era ministro da Economia, ter aceitado 70% das ações da gráfica Ciccone como suborno para conseguir uma anistia pelas dívidas que a empresa tinha com o Fisco.

O então ministro teria colocado um empresário como testa de ferro. Imediatamente, Boudou cancelou uma compras de máquinas para a Casa da Moeda, forçando o governo a contratar a Ciccone para imprimir notas de 100 pesos.

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