Vice de Obama chega ao Paquistão para mediação com a Índia

Joe Biden tenta aliviar a tensão entre os dois países após as acusações sobre o atentado de Mumbai

Efe e Reuters,

09 de janeiro de 2009 | 08h03

O vice-presidente eleito dos Estados Unidos, Joseph Biden, chegou nesta sexta-feira, 9, a Islamabad em visita oficial, com o objetivo de aliviar a tensão surgida entre o Paquistão e a Índia por causa dos recentes ataques em Mumbai, informou uma fonte oficial. O porta-voz da embaixada dos EUA na capital paquistanesa, Lou Fintor, disse que está previsto que Biden se reúna durante a tarde com vários representantes do governo do país para discutir "assuntos regionais", mas não precisou quem serão os interlocutores do vice-presidente eleito.   Um porta-voz governamental disse que Biden, que chega acompanhado de uma grande delegação que inclui o senador republicano Lindsey Graham, se reunirá com o presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, e com o primeiro-ministro, Yousaf Raza Gillani. A agenda do vice-presidente eleito, que em menos de duas semanas tomará posse, se concentrará na luta contra o fundamentalismo, assim como nas relações entre a Índia e o Paquistão, segundo uma fonte diplomática, citada pela rede privada Geo TV.   Além disso, Biden deve negociar com as autoridades paquistanesas um pacote de ajuda de US$ 15 bilhões, segundo a fonte da rede de televisão. A embaixadora americana no Paquistão, Anne W. Patterson, se reuniu na quinta-feira com Zardari para preparar a visita de Biden.   As relações entre Índia e Paquistão, ambas potências nucleares, se deterioraram nas últimas semanas após os atentados de novembro em Mumbai, que as autoridades indianas atribuem ao grupo caxemiriano Lashkar-e-Taiba, com base no Paquistão. Os dois países se envolveram em uma troca de acusações e exigências desde os atentados.   Fronteira "frágil"   O primeiro-ministro paquistanês, Yousaf Raza Gilani, disse na sexta-feira que a situação na fronteira com a Índia é frágil. No mesmo dia, o vice-presidente-eleito dos EUA, Joe Biden, chegou ao país para um esforço de melhoria nas relações entre as duas potências nucleares do sul da Ásia. A tensão bilateral se agravou por causa dos atentados islâmicos de novembro em Mumbai, que mataram 179 pessoas. A Índia desde o começo culpou militantes vindos do Paquistão, mas nesta semana o primeiro-ministro Manmohan Singh elevou o tom e sugeriu ter havido apoio de "algumas agências oficiais" ao ataque.   O Paquistão negou envolvimento de seus órgãos públicos e acusou Singh de estar agravando a tensão. Na quarta-feira, Islamabad confirmou que o único militante que sobreviveu ao ataque é paquistanês. "A situação na nossa fronteira leste novamente se tornou muito frágil", disse Gilani em um seminário em Islamabad.   O premiê considerou lamentável que a Índia tenha congelado um processo de paz iniciado há quatro anos e que já havia conseguido melhorar as relações entre os dois países, que travaram três guerras desde 1947. "O mundo não deve permitir que a tensão entre Índia e Paquistão aumente", afirmou.   Embora a tensão esteja elevada, não há sinais de que se repita a concentração de tropas na fronteira ocorrida em 2002, depois de um atentado no Parlamento indiano, que Nova Délhi também atribuiu a militantes do Paquistão. Analistas consideram que atualmente diminuiu a chance de a Índia recorrer a uma ação militar.

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