Vice dos EUA acusa Rússia de intimidar vizinhos

O vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, disse hoje, durante reunião na Itália, que as ações da Rússia no conflito com a Geórgia são "uma afronta inaceitável aos padrões civilizados" e pediu que as nações ocidentais se unam contra o fato de Moscou usar sua posição dominante como fornecedor de petróleo para intimidar seus vizinhos. "A Rússia não ofereceu justificativa satisfatória para a invasão", disse. Cheney também afirmou que a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) continuará a despeito da oposição russa. A Rússia se opôs à promessa da Otan de convidar Geórgia e Ucrânia, ex-Estados soviéticos, para se juntar à organização. Empregando as palavras mais duras desde que o conflito começou, Cheney retratou a Rússia como uma nação cada vez mais belicosa, cujas ações não condizem com a comunidade internacional. O vice-presidente norte-americano guardou seu discurso mais contundente para a parte final da viagem que fez à Geórgia, ao Azerbaijão e à Itália. "No espaço de 30 dias, a Rússia violou a soberania da democracia, acertou e depois rompeu um acordo numa afronta direta à União Européia (UE). A Rússia feriu severamente sua credibilidade e está minando suas relações com os Estados Unidos e com outros países", disse ele, durante uma reunião de líderes políticos e empresariais em Cernobbio, na Itália. No início da semana, Cheney visitou Azerbaijão, Ucrânia e Geórgia, país ao qual foi oferecido US$ 1 bilhão para ajudar na recuperação dos danos causados durante o conflito com a Rússia. As críticas de Cheney se juntam às dos ministros de Relações Exteriores da UE, que reunidos neste fim de semana em Avignon, na França, exigiram que a Rússia cumpra sua promessa e retire suas tropas da Geórgia. O presidente francês Nicolas Sarkozy vai liderar uma missão diplomática a Moscou na segunda-feira, que se reunirá com o presidente russo Dmitry Medvedev. Na capital russa, Medvedev não deu sinais de que vai se comprometer com um acordo de paz e afirmou que o conflito mostrou ao mundo que "a Rússia é uma nação a ser levada em consideração".SançõesNo final da reunião de hoje em Avignon, o anfitrião Bernard Kouchner, ministro de Relações Exteriores da França, disse que as nações européias também concordaram com a necessidade do lançamento de uma investigação internacional sobre abusos contra os direitos humanos que teriam sido praticados durante o conflito Geórgia-Rússia e as causas do embate. Kouchner descartou sanções contra a Rússia e adotou um tom mais diplomático ao dizer que o país deve continuar um parceiro da UE. "É nosso vizinho, é um grande país e não é o caso de voltar a uma situação similar à Guerra Fria, o que seria um grande erro", afirmou.

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