Vice dos EUA critica expansão de Israel sobre Jerusalém

O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, condenou hoje a aprovação de Israel para a construção de mais 1.600 casas para judeus em Jerusalém Oriental, área reivindicada pelos palestinos. Durante visita a Israel para tratar do processo de paz no Oriente Médio, Biden afirmou que o anúncio prejudica o processo de paz que os EUA tentam retomar. "É o tipo de medida que prejudica a confiança necessária neste momento e que vai contra as discussões construtivas que tive em Israel", disse.

AE-AP, Agencia Estado

09 de março de 2010 | 20h36

Biden afirmou que israelenses e palestinos precisam construir uma atmosfera de apoio às negociações e não complicá-las. Pouco antes, o porta-voz do presidente Barack Obama, Robert Gibbs, condenou o anúncio da Casa Branca.

As relações entre Israel e o governo de Barack Obama têm sido frias exatamente por causa da questão dos assentamentos. Os Estados Unidos, assim como os palestinos e o restante da comunidade internacional, acreditam que os assentamentos israelenses construídos em terras reclamadas pelos palestinos, incluindo Jerusalém Oriental, prejudicam o processo de paz. Obama tem falado mais abertamente sobre a questão do que seus antecessores.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu tem recusado os pedidos da Casa Branca para interromper as atividades nos assentamentos, concordando apenas em um congelamento limitado que não inclui Jerusalém Oriental. Israel considera Jerusalém Oriental e as redondezas como parte de uma capital indivisível, mas a anexação nunca foi reconhecida internacionalmente, e as áreas ao redor são vistas como assentamentos.

O ministra do Interior, Efrat Orbach, disse que novas casas serão construídas em Ramat Shlomo, um bairro de judeus ultraortodoxos. Ele lembrou que há um período de 60 dias para que sejam feitas apelações, indicando que a decisão pode ser alterada.

No entanto, o negociador palestino Saeb Erekat disse que a medida destrói a confiança necessária para a realização de uma nova rodada de conversações indiretas de paz, que os dois lados concordaram em manter nesta semana com a mediação do enviado norte-americano George Mitchell. Os esforços de paz estão paralisados há 14 meses, em parte por causa da ira dos palestinos sobre as atividades nos assentamentos.

"Com tal anúncio, como podemos construir a confiança? Isto está destruindo nossos esforços para trabalhar com o senhor Mitchell", disse Erekat. "É uma situação realmente desastrosa. Eu espero que isso abra os olhos de toda a comunidade internacional sobre a necessidade de fazer o governo de Israel parar com tais exercícios fúteis."

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