Vice dos EUA diz que Israel deve 'correr riscos' para paz

No mesmo dia de visita de americano, Israel anuncia novas construções em Jerusalém Oriental.

BBC Brasil, BBC

09 de março de 2010 | 14h48

O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, sugeriu nesta terça-feira que Israel deve "correr riscos para alcançar a paz" com os palestinos, e que, para isso, terá o apoio do governo americano.

As declarações foram feitas em um pronunciamento conjunto de Biden e do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, em Jerusalém, como parte da programação da visita de quatro dias do vice-presidente americano ao Oriente Médio.

Durante o pronunciamento, Biden comemorou a iniciativa de israelenses e palestinos de retomar negociações indiretas "de aproximação" e afirmou que este é um "momento de oportunidade real" para se alcançar a paz.

A retomada das negociações entre israelenses e palestinos, que estavam interrompidas desde dezembro de 2008, foi anunciada pelo governo americano na última segunda-feira.

Em um primeiro momento, as conversas devem ser retomadas de maneira indireta, sob a mediação do enviado especial dos Estados Unidos para o Oriente Médio, George Mitchell.

Segurança

Em seu discurso, Biden disse ainda que os Estados Unidos estão comprometidos em garantir a segurança de Israel.

"A pedra angular da relação é nosso absoluto, total e direto compromisso com a segurança de Israel", disse.

"Há progresso no Oriente Médio quando todos sabem que não há distância entre os Estados Unidos e Israel. Não há distância entre os Estados Unidos e Israel quando se fala da segurança de Israel", afirmou Biden, que também disse que a maior garantia para a segurança israelense é a paz com seus vizinhos.

Biden é a mais alta autoridade do governo dos Estados Unidos a visitar Jerusalém desde a posse do presidente Barack Obama.

Assentamentos

Após o encontro com Biden, o primeiro-ministro israelense agradeceu os esforços do governo americano para que as negociações de paz sejam retomadas e afirmou que para que a paz seja alcançada, é necessário que os palestinos reconheçam "a permanência e a legitimidade do Estado judaico de Israel".

Também nesta terça-feira, no entanto, o governo de Israel tomou uma iniciativa que deve dificultar as negociações, ao anunciar a autorização para a construção de 1,6 mil novas casas em Jerusalém Oriental.

A região foi anexada por Israel em 1967 e é considerada pela comunidade internacional como território ocupado.

A interrupção nas construções em assentamentos judaicos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental é uma das condições impostas pelos palestinos para a retomada nas negociações diretas de paz.

Em novembro do ano passado, o governo israelense havia anunciado uma interrupção de dez meses nas construções de novos prédios na Cisjordânia. A decisão, no entanto, não inclui Jerusalém Oriental, onde os palestinos pretendem implantar sua capital.

Na segunda-feira, Israel já havia anunciado a aprovação da construção de 112 novas casas na Cisjordânia. Segundo as autoridades israelenses, a medida seria "uma exceção", necessária para garantir a segurança do assentamento de Beitar Illit.

A medida também deve dificultar as novas negociações indiretas de paz.

Cerca de 500 mil judeus vivem em mais de 100 assentamentos construídos por Israel na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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