AFP PHOTO / AFPTV / KATIE SCHUBAUBR
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Vice-embaixador da Coreia do Norte no Reino Unido deserta para a Coreia do Sul

Thae Yong-ho é o diplomata mais graduado de Pyongyang a fugir do regime de Kim Jong-un; ao longo dos anos, cerca de 30 mil norte-coreanos fugiram da pobreza e da repressão de seu país e se estabeleceram no Sul

O Estado de S. Paulo

17 Agosto 2016 | 16h15

SEUL - O vice-embaixador da Coreia do Norte em Londres desertou com sua família para a Coreia do Sul, informaram autoridades sul-coreanas nesta quarta-feira, 17, o que faz dele o diplomata mais graduado de Pyongyang a fugir do regime isolado rumo ao vizinho democrático do sul.

Em Seul, o Ministério da Unificação não quis dizer quando ou como Thae Yong-ho e seus familiares chegaram, ou quantos parentes o acompanhavam. Thae desertou em razão de seu descontentamento com o regime de Kim Jong-un na Coreia do Norte e pelo futuro de seu filho, disse o porta-voz do ministério, Jeong Joon-hee, em uma coletiva de imprensa. Não ficou claro em coreano se Jeong se referia a mais de uma criança.

"Sabemos que o vice-embaixador Thae está dizendo que seu desgosto com o regime de Kim Jong-un e o anseio pelo sistema democrático livre da República da Coreia e pelo futuro de seu filho são motivos para sua deserção", disse Jeong em referência à Coreia do Sul, acrescentando que Thae e sua família estão sob proteção do governo. "Estão sob a proteção do governo e seguirão o procedimento previsto com as instituições competentes."

O anúncio veio um dia depois de uma reportagem noticiar que um diplomata norte-coreano eminente, mais tarde identificado pela rede britânica BBC como Thae, havia desertado. Mais cedo, um funcionário da embaixada norte-coreana em Londres não quis confirmar a deserção, descrevendo os relatos do evento como "bastante repentinos". 

O diplomata, que teria solicitado asilo em um terceiro país previamente, efetuou a fuga "seguindo um minucioso plano", antecipou o jornal "Joongang", um dos de maior tiragem de Seul. O funcionário desapareceu nas passadas semanas e a embaixada "tratou de encontrá-lo, mas aparentemente não teve sucesso", garantiu ao "Joongang" uma fonte anônima.

Analistas destacaram que, devido à repressão do ditador e das sanções internacionais, recentemente aumentaram as deserções de cidadãos de status médio e alto na sociedade norte-coreana, muitos dos quais buscam refúgio em países europeus ou nos Estados Unidos.

Mesmo assim, a maioria dos refugiados continua sendo gente com baixos recursos que passa dificuldades e procura uma vida melhor na vizinha Coreia do Sul, onde conhecem o idioma e recebem ajuda do governo. 

Vários casos de deserções vieram à tona nos últimos meses. Um dos de mais destaque foi o caso em abril de 12 garçonetes de um restaurante norte-coreano na China. Em julho, a imprensa de Hong Kong anunciou a deserção de um estudante norte-coreano de 18 anos que visitava esta ex-colônia britânica para participar de um concurso internacional de matemática.

Todo norte-coreano que foge à Coreia do Sul deve passar primeiro por um longo programa de interrogatórios realizado pelos serviços secretos, cujo objetivo é desmascarar possíveis espiões. Posteriormente, durante três meses, vivem em centros governamentais onde aprendem os aspectos básicos da vida na Coreia do Sul, como pegar o metrô, utilizar telefones celulares ou fazer compras em supermercados.

Ao longo dos anos, cerca de 30 mil norte-coreanos fugiram da pobreza e da repressão de seu país e se estabeleceram no Sul. No entanto, o número de desertores - que já chegou a mais de 2.000 por ano - caiu para quase a metade desde que Kim Jong-un assumiu o poder, após a morte de seu pai e ex-líder Kim Jong-il, em dezembro de 2011. / REUTERS, EFE e AFP

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