EFE
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Vice-ministro da Bolívia é morto por mineiros, diz mídia

Rodolfo Illanes, sequestrado por grevistas, teria sido espancado até a morte

O Estado de S.Paulo

25 Agosto 2016 | 22h38

LA PAZ  - O vice-ministro do Interior da Bolívia, Rodolfo Illanes, foi espancado até a morte por mineiros depois de ter sido sequestrado, informou a imprensa local nesta quinta-feira.

Mais cedo, o ministro do Interior, Carlos Romero, disse em entrevista coletiva que Illanes havia sido sequestrado por mineiros em greve e corria o risco de ser torturado. "O vice-ministro (Rodolfo) Illanes, que está na localidade de Panduro, foi sequestrado por cooperativistas mineiros, que ameaçam começar a torturá-lo", declarou.

Na quarta-feira, a cidade de Panduro foi palco de confrontos entre mineiros e policiais. Illanes estava no local do bloqueio, tentando uma aproximação com os mineiros que se mantêm entrincheirados nas montanhas, segundo a versão oficial.

Esses mineiros, que estão agrupados em cooperativas privadas, tomaram as estradas na segunda-feira, exigindo a libertação de dez detidos sob acusação de atentar contra a vida de policiais e contra bens do Estado. A acusação remete a confrontos esporádicos ocorridos no início de agosto. Eles também exigem negociar diretamente com o presidente Evo Morales, seu aliado político.

Os mineiros de cooperativas fazem há vários dias violentos protestos na Bolívia. Eles pedem mudanças nas regras que regem a atividade para poder assinar contratos com empresas privadas e defendem a ampliação de concessões de mineração, subsídios à energia elétrica e importações de máquinas sem tarifas.

Segundo Romero, os mineiros do setor cooperativo pressionam para alugar suas concessões mineradoras para empresas privadas, ou estrangeiras, uma ação proibida pela Constituição. "Os que protestam são cooperativistas comprometidos com transnacionais", denunciou. A imprensa divulgou o conteúdo de 36 contratos desse tipo firmados pelos mineiros.

Na quarta-feira, os grevistas bloquearam a estrada principal da Bolívia, ligando Cochabamba e Oruro, e quando a polícia tentou dispersá-los, houve confrontos que culminaram com 17 agentes de segurança feridos.

Até o meio-dia desta quinta-feira, havia confrontos esporádicos em Sayari, Cochabamba (centro), e as estradas estavam cheias de pedras. No pior dia de violência, nestya quinta-feira, dois mineiros morreram por disparos em estradas de Cochabamba, segundo a Federação Nacional de Cooperativas de Mineiros (Fencomin). O governo, por sua vez, anunciou um morto e negou que o manifestante foi morto por disparos das forças de segurança.

A tentativa de iniciar negociações, feita pela Defensoria do Povo, fracassou nesta quinta-feira em razão das mortes dos mineiros.

O ministro do Interior disse à tarde que as portas do diálogo estavam abertas, com a condição da "suspensão definitiva de todos os bloqueios". / REUTERS E AFP

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