Vice-ministro renuncia e apoia rebeldes

Dirigente do Ministério do Petróleo seria o primeiro do alto escalão a deixar governo; enviada da ONU chega a Baba Amr

AMÃ, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2012 | 03h01

O vice-ministro do Petróleo da Síria, Abdo Hussameddin, anunciou ontem sua renúncia ao cargo e declarou apoio à oposição do país, em vídeo publicado no site YouTube, cuja autoria não foi confirmada. Ele seria o funcionário escalão mais alto a abandonar o regime do ditador Bashar al Assad desde o início dos conflitos entre governo e oposição, há um ano.

"Anuncio minha saída do regime, renuncio ao meu posto e saio do partido Baath. Eu ingresso na revolução desse povo digno. Me uno à revolução do povo que reprova a injustiça e a campanha brutal do regime", diz o ministro no vídeo.

Hussameddin está no cargo desde agosto de 2009. De acordo com um ativista consultado pela agência de notícias France Presse, a oposição ajudou a conseguir a renúncia. O regime sírio não comentou ontem o anúncio.

A subsecretária-geral da ONU para Assuntos Humanitários, a britânica de origem guianesa Valerie Amos, visitou ontem o bairro de Baba Amr, em Homs, intensamente bombardeado pelo Exército sírio, que tirou os rebeldes da área na quinta-feira. Valerie, que pediu às autoridades sírias acesso à área na sexta-feira e só foi atendida na terça-feira, ficou no bairro 45 minutos, acompanhada de uma equipe do Crescente Vermelho - versão muçulmana da Cruz Vermelha.

Histórias macabras continuam emergindo de Baba Amr, onde dois jornalistas foram mortos e dois ficaram feridos no dia 22. O oposicionista Mohamed al-Homsi disse à agência Reuters que milicianosdo regime mataram a facadas na terça-feira sete homens de uma família, incluindo um garoto de 10 anos.

Moradores de Jabal al-Zawyia, no norte da Síria, afirmaram que as forças de segurança tomaram como reféns 30 famílias, exigindo, para libertá-las, a entrega de três desertores do Exército sírio, que estariam escondidos na área. A informação foi repassada ao Estado por oposicionistas sírios na Turquia. Segundo os relatos, os desertores são da minoria alauita, à qual pertence o presidente Bashar Assad.

O chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos Estados Unidos, general Martin Dempsey, declarou ontem que o presidente Barack Obama lhe pediu opções de ação na Síria. O leque inclui operações aéreas de distribuição de ajuda humanitária, monitoramento naval, vigilância aérea das atividades dos militares sírios e o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea. Países da União Europeia já sugeriram a criação de corredores humanitários para levar assistência a Homs. / REUTERS. COLABOROU LOURIVAL SANT'ANNA.

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